1. IDENTIFICAÇÃO GERAL
| Campo | Descrição | |
|---|---|---|
| Tipo de peça | Ofício administrativo manuscrito com selo branco e chancela institucional de fecho | |
| Origem | Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz | |
| Destino | Ignacio António Carriço | |
| Data | 7 de março de 1871 | |
| Natureza documental | Correspondência administrativa e beneficente | |
| Remetente | António Dias Simões, Secretário da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz | |
| Destinatário | Ignacio António Carriço | |
| Pessoa mencionada | João Henrique Ulrich | |
| Instituição emissora | Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz |
2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA
Caracterização do suporte
Ofício manuscrito em papel dobrado, utilizado simultaneamente como carta e sobrescrito, segundo prática administrativa corrente do século XIX.
O documento apresenta vincos de dobragem compatíveis com circulação fechada, sinais normais de manuseamento e pequenas manchas de envelhecimento.
Selos postais
Não apresenta selos postais.
Não foram identificadas marcas de franquia postal.
Carimbos e marcas institucionais
Selo branco institucional
Selo branco oval em relevo, aplicado diretamente no papel, com dupla cercadura pontilhada.
Leitura estabelecida:
Arco superior:
SANTA CASA DA MISERICORDIA
Arco inferior:
FIGUEIRA
Ao centro observa-se a numeração manuscrita:
339
O selo branco constitui a principal marca de autenticação institucional do documento.
Numeração manuscrita
Número "339" inscrito posteriormente a tinta no centro do selo branco.
Estado de leitura
Bom.
O relevo encontra-se suficientemente preservado para identificação institucional.
Chancela Institucional de Fecho
No verso observa-se uma chancela circular aplicada sobre a dobra de fecho da carta.
A marca atravessa simultaneamente a aba exterior e o corpo do documento, tendo sido parcialmente destruída no momento da abertura.
A marca atravessa simultaneamente a aba exterior e o corpo do documento, tendo sido parcialmente destruída no momento da abertura.
Características observáveis
Elemento Observação Forma Circular Aplicação A tinta Localização Sobre o fecho da carta Função Autenticação e garantia de integridade Estado Parcialmente rompida pela abertura
| Elemento | Observação |
|---|---|
| Forma | Circular |
| Aplicação | A tinta |
| Localização | Sobre o fecho da carta |
| Função | Autenticação e garantia de integridade |
| Estado | Parcialmente rompida pela abertura |
Iconografia
A chancela apresenta:
- Coroa real;
- Escudo heráldico central;
- Legenda institucional periférica;
- Composição compatível com a heráldica tradicional das Misericórdias portuguesas. imageturn17search1†image0 (Image: brasão moderno da Misericórdia)
A análise comparativa da iconografia e da legenda permite atribuí-la à Santa Casa da Misericórdia da Figueira.
A chancela apresenta:
- Coroa real;
- Escudo heráldico central;
- Legenda institucional periférica;
- Composição compatível com a heráldica tradicional das Misericórdias portuguesas. imageturn17search1†image0 (Image: brasão moderno da Misericórdia)
A análise comparativa da iconografia e da legenda permite atribuí-la à Santa Casa da Misericórdia da Figueira.
Função
A chancela foi aplicada após a dobragem da carta para:
- identificar o remetente;
- autenticar a expedição;
- garantir a integridade do conteúdo;
- tornar visível qualquer abertura da correspondência.
A chancela foi aplicada após a dobragem da carta para:
- identificar o remetente;
- autenticar a expedição;
- garantir a integridade do conteúdo;
- tornar visível qualquer abertura da correspondência.
Outros elementos
Elemento Observação Endereço manuscrito Presente Assinatura original Presente Selo branco Presente Chancela de fecho Presente Carimbo postal Não observado Carimbo de chegada Não observado Marca de trânsito Não observada Censura Não observada
| Elemento | Observação |
|---|---|
| Endereço manuscrito | Presente |
| Assinatura original | Presente |
| Selo branco | Presente |
| Chancela de fecho | Presente |
| Carimbo postal | Não observado |
| Carimbo de chegada | Não observado |
| Marca de trânsito | Não observada |
| Censura | Não observada |
3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA
Interpretação da circulação documental
O documento foi emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz e dirigido a Ignacio António Carriço.
Não existem marcas postais conhecidas que permitam comprovar a utilização do serviço postal público.
A ausência de carimbos postais sugere que o documento poderá ter circulado através de entrega direta, portador próprio ou rede informal de distribuição institucional, hipótese plausível mas não demonstrável apenas pela peça.
O documento foi emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz e dirigido a Ignacio António Carriço.
Não existem marcas postais conhecidas que permitam comprovar a utilização do serviço postal público.
A ausência de carimbos postais sugere que o documento poderá ter circulado através de entrega direta, portador próprio ou rede informal de distribuição institucional, hipótese plausível mas não demonstrável apenas pela peça.
Conteúdo administrativo
O documento comunica a entrada na tesouraria da Santa Casa da Misericórdia da quantia de 40$000 réis, recebida como esmola do benfeitor João Henrique Ulrich.
O remetente envia ainda:
- o respetivo recibo;
- uma carta dirigida a João Henrique Ulrich.
Solicita ao destinatário que providencie o encaminhamento dessa correspondência para o benfeitor.
O documento comunica a entrada na tesouraria da Santa Casa da Misericórdia da quantia de 40$000 réis, recebida como esmola do benfeitor João Henrique Ulrich.
O remetente envia ainda:
- o respetivo recibo;
- uma carta dirigida a João Henrique Ulrich.
Solicita ao destinatário que providencie o encaminhamento dessa correspondência para o benfeitor.
Contexto histórico
A carta insere-se no reinado de D. Luís I (1861–1889), período em que as Misericórdias continuavam a constituir um dos principais pilares da assistência social em Portugal. Sustentadas por património próprio, legados, esmolas e donativos particulares, estas instituições desempenhavam funções essenciais de apoio hospitalar e assistência aos grupos mais vulneráveis.
O documento testemunha diretamente uma dessas práticas de beneficência, registando a entrada de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich à Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz. A referência nominal ao benfeitor confere especial relevância histórica à peça, ligando-a a uma figura de destaque da vida económica e pública portuguesa da segunda metade do século XIX.
Contexto InstitucionalEm março de 1871, data da carta, a Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz encontrava-se numa fase de desenvolvimento das suas estruturas assistenciais e hospitalares. A instituição procurava consolidar os seus recursos financeiros, beneficiando recentemente de novos mecanismos de financiamento e encontrando-se envolvida num processo de desenvolvimento das suas infraestruturas hospitalares durante a gerência de Júlio César da Fonseca Moiro (1871–1872).
Neste contexto, a esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich assume particular relevância, constituindo um testemunho concreto da importância da beneficência privada no financiamento das atividades da Misericórdia. O documento demonstra que os donativos de benfeitores continuavam a desempenhar um papel significativo no apoio às despesas assistenciais e aos projetos de expansão institucional da Santa Casa.
A carta insere-se no reinado de D. Luís I (1861–1889), período em que as Misericórdias continuavam a constituir um dos principais pilares da assistência social em Portugal. Sustentadas por património próprio, legados, esmolas e donativos particulares, estas instituições desempenhavam funções essenciais de apoio hospitalar e assistência aos grupos mais vulneráveis.
O documento testemunha diretamente uma dessas práticas de beneficência, registando a entrada de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich à Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz. A referência nominal ao benfeitor confere especial relevância histórica à peça, ligando-a a uma figura de destaque da vida económica e pública portuguesa da segunda metade do século XIX.
Em março de 1871, data da carta, a Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz encontrava-se numa fase de desenvolvimento das suas estruturas assistenciais e hospitalares. A instituição procurava consolidar os seus recursos financeiros, beneficiando recentemente de novos mecanismos de financiamento e encontrando-se envolvida num processo de desenvolvimento das suas infraestruturas hospitalares durante a gerência de Júlio César da Fonseca Moiro (1871–1872).
Neste contexto, a esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich assume particular relevância, constituindo um testemunho concreto da importância da beneficência privada no financiamento das atividades da Misericórdia. O documento demonstra que os donativos de benfeitores continuavam a desempenhar um papel significativo no apoio às despesas assistenciais e aos projetos de expansão institucional da Santa Casa.
Contexto local
A Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz era uma das principais instituições assistenciais da cidade.
A peça documenta o funcionamento administrativo da instituição e as relações estabelecidas entre a Misericórdia, os seus benfeitores e elementos influentes da sociedade local.
A Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz era uma das principais instituições assistenciais da cidade.
A peça documenta o funcionamento administrativo da instituição e as relações estabelecidas entre a Misericórdia, os seus benfeitores e elementos influentes da sociedade local.
Particularidades relevantes
- Documento emitido apenas trinta e dois anos após a fundação da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, criada em 1839.
- Referência explícita ao benfeitor João Henrique Ulrich.
- Registo documental da entrada de uma esmola no valor de 40$000 réis.
- Produzido num período de desenvolvimento institucional e expansão hospitalar da Misericórdia.
- Preservação do selo branco institucional da Santa Casa da Misericórdia da Figueira.
- Preservação da chancela institucional aplicada sobre a dobra da carta.
- Testemunho material das práticas administrativas e beneficentes de uma Misericórdia portuguesa no século XIX.
4. TRANSCRIÇÃO DIPLOMÁTICA
Endereço
Illustrissimo Senhor Ignacio A. Carriço
Caza
Texto
Ex.mo Sr.
Incluso achará V. S.ª o recibo da quantia de 40$000, que no dia 2 do corrente entrarão na Thesouraria desta Santa Caza, esmola do Nosso Benfeitor o Ex.mo Sr. João H. Ulrich.Tómo também a liberdade de juntar uma carta que a Meza me encarrega de enviar áquelle Cavalheiro e que não sei dirigir por me constar que se acha auzente de Lisboa.
Espero que V. S.ª se servirá dar-lhe o devido destino.
Santa Caza, 7 de Março 1871.
De V. S.ª
Am.º e Ven.or Att.º
Antonio Dias Simões
Secretário.
5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO
Factos observáveis
✅ Documento datado de 7 de março de 1871.
✅ Emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz.
✅ Assinado por António Dias Simões.
✅ Referência direta a João Henrique Ulrich.
✅ Registo de esmola no valor de 40$000 réis.
✅ Presença de selo branco institucional.
✅ Presença de chancela institucional de fecho.
✅ Ausência de marcas postais observáveis.
Interpretações fundamentadas
⚠️ Ignacio António Carriço terá atuado como intermediário para encaminhamento da correspondência destinada ao benfeitor.
⚠️ A aplicação da chancela sobre a dobra demonstra preocupação institucional com a autenticidade e a inviolabilidade da correspondência.
⚠️ O número manuscrito "339" poderá corresponder a protocolo, registo administrativo ou cota arquivística.
Aspetos que requerem validação adicional
- Significado do número 339.
- Existência de livro de protocolo correspondente.
- Modalidade concreta de transporte da carta.
6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL
Interesse filatélico
Reduzido.
Não apresenta selos postais nem circulação postal comprovada.
Interesse marcofílico
Reduzido.
Não apresenta marcas postais conhecidas.
Interesse histórico-postal
Moderado.
Não apresenta circulação postal comprovada, mas documenta práticas de expedição, autenticação e transmissão institucional de correspondência administrativa no século XIX, preservando a chancela aplicada sobre a dobra de fecho.
Interesse de filatelia social
Muito elevado.
Relaciona beneficência, assistência social e redes de influência local.
Interesse documental
Muito elevado.
O documento possui interesse historiográfico acrescido por constituir uma fonte primária que regista uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich à Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, episódio que não foi identificado na obra de síntese histórica atualmente disponível sobre a instituição. A peça acrescenta informação concreta sobre as práticas de beneficência e financiamento da assistência hospitalar em 1871.
Interesse diplomático
Excecional.
Conserva simultaneamente:
- selo branco;
- chancela de fecho;
- assinatura autógrafa;
- conteúdo administrativo.
Interesse histórico
Muito elevado.
Permite estudar práticas assistenciais, beneficência privada e administração das Misericórdias.
Interesse expositivo
Muito elevado.
Especialmente adequado para:
- História das Misericórdias;
- Filatelia Social;
- História da Assistência;
- Património Documental;
- Diplomática Institucional.
Grau de raridade
Não determinado: A raridade não pode ser estabelecida sem estudo comparativo da correspondência da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz produzida no século XIX. Contudo, a preservação simultânea do selo branco institucional, da chancela de fecho, da assinatura autógrafa do secretário António Dias Simões e da referência documental a uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich configura um conjunto documental aparentemente pouco comum.
Potencial para coleção
Muito elevado.
Potencial para exposição
Muito elevado.
Potencial para publicação
Muito elevado.
Potencial de investigação futura
Excelente.
7. SUGESTÃO DE TEXT ALT
Ofício manuscrito emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz em 7 de março de 1871 e dirigido a Ignacio António Carriço. O documento comunica a receção de uma esmola de 40$000 réis oferecida pelo benfeitor João Henrique Ulrich. Conserva selo branco institucional com a inscrição “Santa Casa da Misericórdia – Figueira” e chancela circular aplicada sobre a dobra de fecho da carta, utilizada para autenticação e garantia de integridade documental. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.
8. CODIFICAÇÃO
Código
PT-DSM-1871-FIGUEIRA-MISERICORDIA-ULRICH
Tabela de decomposição
| Bloco | Código | Significado |
|---|---|---|
| País | PT | Portugal |
| Tipo | DSM | Documento da Santa Misericórdia |
| Ano | 1871 | Data do documento |
| Localidade | FIGUEIRA | Figueira da Foz |
| Instituição | MISERICORDIA | Santa Casa da Misericórdia |
| Tema | ULRICH | Donativo de João Henrique Ulrich |
9. REFERÊNCIAS
Fonte primária
Ofício original da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, datado de 7 de março de 1871.
Bibliografia recomendada
- Abreu, Laurinda. O Poder e os Pobres: As Dinâmicas das Misericórdias Portuguesas.
- Araújo, Maria Marta Lobo de. As Misericórdias Portuguesas na Época Moderna.
- Lopes, Herculano. História Postal Portuguesa.
- Obras sobre diplomática institucional e administração das Misericórdias portuguesas.
10. NOTAS METODOLÓGICAS
Limitações da análise
- Não foi possível observar presencialmente a peça.
- A leitura da chancela baseia-se em análise fotográfica.
- Não existem marcas postais que permitam comprovar o percurso.
Informação não observável
- Data de receção.
- Modalidade de transporte.
- Circuito documental utilizado.
Dados não confirmados
- Significado do número 339.
- A identificação do destinatário Ignacio A. Carriço poderá justificar investigação prosopográfica adicional. Verifica-se que Ignácio Augusto Carrisso, pai do naturalista Luiz Wittnich Carrisso, foi inicialmente sepultado no jazigo de Joaquim António Simões, antes da sua trasladação para jazigo próprio. A coincidência do apelido Simões com o do remetente António Dias Simões, secretário da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz em 1871, poderá sugerir a existência de relações familiares, sociais ou institucionais entre as famílias Carrisso e Simões. Contudo, não foi localizada evidência documental que permita estabelecer essa ligação, devendo esta hipótese permanecer em aberto até confirmação através de fontes genealógicas, paroquiais, cemiteriais ou arquivísticas.
Níveis de certeza
✅ Evidência documental
- Data de 7 de março de 1871.
- Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz.
- Ignacio António Carriço.
- António Dias Simões.
- João Henrique Ulrich.
- Esmola de 40$000 réis.
- Selo branco com leitura «SANTA CASA DA MISERICORDIA» / «FIGUEIRA».
- Chancela institucional aplicada sobre a dobra de fecho.
⚠️ Interpretação histórica
- Transporte fora do circuito postal.
- Função administrativa exata da numeração 339.
Avaliação Curatorial:
Documento de elevado interesse histórico e documental, produzido apenas trinta e dois anos após a fundação da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, num período de consolidação institucional e desenvolvimento das suas estruturas assistenciais.
A peça reveste-se de particular relevância por registar a entrada na tesouraria da Misericórdia de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich, testemunhando o papel da beneficência privada no financiamento da assistência social oitocentista.
Do ponto de vista material, conserva dois mecanismos complementares de autenticação institucional: o selo branco da Santa Casa da Misericórdia da Figueira e a chancela aplicada sobre a dobra de fecho, esta última com iconografia compatível com a heráldica tradicional das Misericórdias portuguesas.
Constitui, assim, um testemunho particularmente expressivo das relações entre beneficência, administração hospitalar e cultura documental na Figueira da Foz da década de 1870, reunindo interesse histórico, institucional, diplomático e patrimonial muito significativo.



