terça-feira, 28 de julho de 2026

Ofício da Santa Casa da Misericórdia da Figueira Relativo a Donativo de João Henrique Ulrich (1871) PT-DSC-1871-FH

 

Ofício manuscrito emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz em 7 de março de 1871 e dirigido a Ignacio António Carriço. O documento comunica a receção de uma esmola de 40$000 réis oferecida pelo benfeitor João Henrique Ulrich. Conserva selo branco institucional com a inscrição “Santa Casa da Misericórdia – Figueira” e chancela circular aplicada sobre a dobra de fecho da carta, utilizada para autenticação e garantia de integridade documental. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL


2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

Caracterização do suporte

Ofício manuscrito em papel dobrado, utilizado simultaneamente como carta e sobrescrito, segundo prática administrativa corrente do século XIX.

O documento apresenta vincos de dobragem compatíveis com circulação fechada, sinais normais de manuseamento e pequenas manchas de envelhecimento.

Selos postais

Não apresenta selos postais.

Não foram identificadas marcas de franquia postal.

Carimbos e marcas institucionais

Selo branco institucional

Pormenor do selo branco oval em relevo da Santa Casa da Misericórdia da Figueira, impresso diretamente no papel de um ofício datado de 1871. A legenda periférica apresenta a inscrição «SANTA CASA DA MISERICORDIA» no arco superior e «FIGUEIRA» no arco inferior. No centro observa-se a numeração manuscrita «339», acrescentada posteriormente. O selo branco constitui um elemento de autenticação institucional do documento, testemunhando as práticas administrativas e documentais da Misericórdia da Figueira da Foz no século XIX.

Selo branco oval em relevo, aplicado diretamente no papel, com dupla cercadura pontilhada.

Leitura estabelecida:

Arco superior:

SANTA CASA DA MISERICORDIA

Arco inferior:

FIGUEIRA

Ao centro observa-se a numeração manuscrita:

339

O selo branco constitui a principal marca de autenticação institucional do documento.

Numeração manuscrita

Número "339" inscrito posteriormente a tinta no centro do selo branco.

Estado de leitura

Bom.

O relevo encontra-se suficientemente preservado para identificação institucional.

Chancela Institucional de Fecho

Pormenor da chancela institucional circular aplicada sobre a dobra de fecho de um ofício da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, datado de 1871. A marca apresenta composição heráldica com coroa real, escudo central e legenda periférica parcialmente legível. A chancela atravessa simultaneamente a aba de fecho e o corpo da carta, encontrando-se parcialmente rompida em consequência da abertura do documento. Este elemento funcionava como mecanismo de autenticação institucional e garantia de integridade da correspondência. imageturn36search26†image0 (Image: chancela institucional sobre fecho)

No verso observa-se uma chancela circular aplicada sobre a dobra de fecho da carta.

A marca atravessa simultaneamente a aba exterior e o corpo do documento, tendo sido parcialmente destruída no momento da abertura.

Características observáveis

Iconografia

A chancela apresenta:

  • Coroa real;
  • Escudo heráldico central;
  • Legenda institucional periférica;
  • Composição compatível com a heráldica tradicional das Misericórdias portuguesas. imageturn17search1†image0 (Image: brasão moderno da Misericórdia)

A análise comparativa da iconografia e da legenda permite atribuí-la à Santa Casa da Misericórdia da Figueira.

Função

A chancela foi aplicada após a dobragem da carta para:

  • identificar o remetente;
  • autenticar a expedição;
  • garantir a integridade do conteúdo;
  • tornar visível qualquer abertura da correspondência.

Outros elementos


3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Interpretação da circulação documental

O documento foi emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz e dirigido a Ignacio António Carriço. 

Não existem marcas postais conhecidas que permitam comprovar a utilização do serviço postal público.

A ausência de carimbos postais sugere que o documento poderá ter circulado através de entrega direta, portador próprio ou rede informal de distribuição institucional, hipótese plausível mas não demonstrável apenas pela peça.


Conteúdo administrativo

O documento comunica a entrada na tesouraria da Santa Casa da Misericórdia da quantia de 40$000 réis, recebida como esmola do benfeitor João Henrique Ulrich.

O remetente envia ainda:

  • o respetivo recibo;
  • uma carta dirigida a João Henrique Ulrich.

Solicita ao destinatário que providencie o encaminhamento dessa correspondência para o benfeitor.


Contexto histórico

A carta insere-se no reinado de D. Luís I (1861–1889), período em que as Misericórdias continuavam a constituir um dos principais pilares da assistência social em Portugal. Sustentadas por património próprio, legados, esmolas e donativos particulares, estas instituições desempenhavam funções essenciais de apoio hospitalar e assistência aos grupos mais vulneráveis.

O documento testemunha diretamente uma dessas práticas de beneficência, registando a entrada de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich à Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz. A referência nominal ao benfeitor confere especial relevância histórica à peça, ligando-a a uma figura de destaque da vida económica e pública portuguesa da segunda metade do século XIX.

Contexto Institucional

Em março de 1871, data da carta, a Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz encontrava-se numa fase de desenvolvimento das suas estruturas assistenciais e hospitalares. A instituição procurava consolidar os seus recursos financeiros, beneficiando recentemente de novos mecanismos de financiamento e encontrando-se envolvida num processo de desenvolvimento das suas infraestruturas hospitalares durante a gerência de Júlio César da Fonseca Moiro (1871–1872).

Neste contexto, a esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich assume particular relevância, constituindo um testemunho concreto da importância da beneficência privada no financiamento das atividades da Misericórdia. O documento demonstra que os donativos de benfeitores continuavam a desempenhar um papel significativo no apoio às despesas assistenciais e aos projetos de expansão institucional da Santa Casa.


Contexto local

A Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz era uma das principais instituições assistenciais da cidade.

A peça documenta o funcionamento administrativo da instituição e as relações estabelecidas entre a Misericórdia, os seus benfeitores e elementos influentes da sociedade local.


Particularidades relevantes

  • Documento emitido apenas trinta e dois anos após a fundação da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, criada em 1839.
  • Referência explícita ao benfeitor João Henrique Ulrich.
  • Registo documental da entrada de uma esmola no valor de 40$000 réis.
  • Produzido num período de desenvolvimento institucional e expansão hospitalar da Misericórdia.
  • Preservação do selo branco institucional da Santa Casa da Misericórdia da Figueira.
  • Preservação da chancela institucional aplicada sobre a dobra da carta.
  • Testemunho material das práticas administrativas e beneficentes de uma Misericórdia portuguesa no século XIX.

Ofício manuscrito da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, datado de 7 de março de 1871, comunicando a receção de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich. O documento conserva a assinatura do secretário António Dias Simões e a numeração manuscrita 339. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

4. TRANSCRIÇÃO DIPLOMÁTICA

Endereço

Illustrissimo Senhor Ignacio A. Carriço
Caza

Texto

Ex.mo Sr.
Incluso achará V. S.ª o recibo da quantia de 40$000, que no dia 2 do corrente entrarão na Thesouraria desta Santa Caza, esmola do Nosso Benfeitor o Ex.mo Sr. João H. Ulrich.

Tómo também a liberdade de juntar uma carta que a Meza me encarrega de enviar áquelle Cavalheiro e que não sei dirigir por me constar que se acha auzente de Lisboa.

Espero que V. S.ª se servirá dar-lhe o devido destino.

Santa Caza, 7 de Março 1871.

De V. S.ª

Am.º e Ven.or Att.º

Antonio Dias Simões

Secretário.


5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Factos observáveis

✅ Documento datado de 7 de março de 1871.

✅ Emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz.

✅ Assinado por António Dias Simões.

✅ Referência direta a João Henrique Ulrich.

✅ Registo de esmola no valor de 40$000 réis.

✅ Presença de selo branco institucional.

✅ Presença de chancela institucional de fecho.

✅ Ausência de marcas postais observáveis.


Interpretações fundamentadas

⚠️ Ignacio António Carriço terá atuado como intermediário para encaminhamento da correspondência destinada ao benfeitor.

⚠️ A aplicação da chancela sobre a dobra demonstra preocupação institucional com a autenticidade e a inviolabilidade da correspondência.

⚠️ O número manuscrito "339" poderá corresponder a protocolo, registo administrativo ou cota arquivística.


Aspetos que requerem validação adicional

  • Significado do número 339.
  • Existência de livro de protocolo correspondente.
  • Modalidade concreta de transporte da carta.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

Interesse filatélico

Reduzido.

Não apresenta selos postais nem circulação postal comprovada.

Interesse marcofílico

Reduzido.

Não apresenta marcas postais conhecidas.

Interesse histórico-postal

Moderado.

Não apresenta circulação postal comprovada, mas documenta práticas de expedição, autenticação e transmissão institucional de correspondência administrativa no século XIX, preservando a chancela aplicada sobre a dobra de fecho.

Interesse de filatelia social

Muito elevado.

Relaciona beneficência, assistência social e redes de influência local.

Interesse documental

Muito elevado.

O documento possui interesse historiográfico acrescido por constituir uma fonte primária que regista uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich à Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, episódio que não foi identificado na obra de síntese histórica atualmente disponível sobre a instituição. A peça acrescenta informação concreta sobre as práticas de beneficência e financiamento da assistência hospitalar em 1871.

Interesse diplomático

Excecional.

Conserva simultaneamente:

  • selo branco;
  • chancela de fecho;
  • assinatura autógrafa;
  • conteúdo administrativo.
A preservação conjunta destes elementos constitui um raro testemunho dos mecanismos de autenticação documental utilizados pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz no século XIX.

Interesse histórico

Muito elevado.

Permite estudar práticas assistenciais, beneficência privada e administração das Misericórdias.

Interesse expositivo

Muito elevado.

Especialmente adequado para:

  • História das Misericórdias;
  • Filatelia Social;
  • História da Assistência;
  • Património Documental;
  • Diplomática Institucional.

Grau de raridade

Não determinado: A raridade não pode ser estabelecida sem estudo comparativo da correspondência da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz produzida no século XIX. Contudo, a preservação simultânea do selo branco institucional, da chancela de fecho, da assinatura autógrafa do secretário António Dias Simões e da referência documental a uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich configura um conjunto documental aparentemente pouco comum.

Potencial para coleção

Muito elevado.

Potencial para exposição

Muito elevado.

Potencial para publicação

Muito elevado.

Potencial de investigação futura

Excelente.


7. SUGESTÃO DE TEXT ALT

Ofício manuscrito emitido pela Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz em 7 de março de 1871 e dirigido a Ignacio António Carriço. O documento comunica a receção de uma esmola de 40$000 réis oferecida pelo benfeitor João Henrique Ulrich. Conserva selo branco institucional com a inscrição “Santa Casa da Misericórdia – Figueira” e chancela circular aplicada sobre a dobra de fecho da carta, utilizada para autenticação e garantia de integridade documental. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


8. CODIFICAÇÃO

Código

PT-DSM-1871-FIGUEIRA-MISERICORDIA-ULRICH

Tabela de decomposição


9. REFERÊNCIAS

Fonte primária

Ofício original da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, datado de 7 de março de 1871.

Bibliografia recomendada

  • Abreu, Laurinda. O Poder e os Pobres: As Dinâmicas das Misericórdias Portuguesas.
  • Araújo, Maria Marta Lobo de. As Misericórdias Portuguesas na Época Moderna.
  • Lopes, Herculano. História Postal Portuguesa.
  • Obras sobre diplomática institucional e administração das Misericórdias portuguesas.

10. NOTAS METODOLÓGICAS

Limitações da análise

  • Não foi possível observar presencialmente a peça.
  • A leitura da chancela baseia-se em análise fotográfica.
  • Não existem marcas postais que permitam comprovar o percurso.

Informação não observável

  • Data de receção.
  • Modalidade de transporte.
  • Circuito documental utilizado.

Dados não confirmados

Níveis de certeza

✅ Evidência documental

  • Data de 7 de março de 1871.
  • Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz.
  • Ignacio António Carriço.
  • António Dias Simões.
  • João Henrique Ulrich.
  • Esmola de 40$000 réis.
  • Selo branco com leitura «SANTA CASA DA MISERICORDIA» / «FIGUEIRA».
  • Chancela institucional aplicada sobre a dobra de fecho.

⚠️ Interpretação histórica

  • Transporte fora do circuito postal.
  • Função administrativa exata da numeração 339.

Avaliação Curatorial: 

Documento de elevado interesse histórico e documental, produzido apenas trinta e dois anos após a fundação da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, num período de consolidação institucional e desenvolvimento das suas estruturas assistenciais.

A peça reveste-se de particular relevância por registar a entrada na tesouraria da Misericórdia de uma esmola de 40$000 réis oferecida por João Henrique Ulrich, testemunhando o papel da beneficência privada no financiamento da assistência social oitocentista.

Do ponto de vista material, conserva dois mecanismos complementares de autenticação institucional: o selo branco da Santa Casa da Misericórdia da Figueira e a chancela aplicada sobre a dobra de fecho, esta última com iconografia compatível com a heráldica tradicional das Misericórdias portuguesas. 

Constitui, assim, um testemunho particularmente expressivo das relações entre beneficência, administração hospitalar e cultura documental na Figueira da Foz da década de 1870, reunindo interesse histórico, institucional, diplomático e patrimonial muito significativo.