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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Tavira, 1773: uma ordem régia para o levantamento cartográfico e económico do Algarve PT-CC-1773-TAVI-HPALG

Carta oficial de serviço expedida de Tavira em 12 de março de 1773 por José António de Sá Sampaio, relacionada com uma ordem régia para a elaboração de cartas topográficas do Algarve. O documento solicita a mobilização de oficiais engenheiros para o levantamento da rede viária entre Monchique e Portimão e para o inventário dos sapais, salgados e marinhas de sal do litoral algarvio. Constitui uma valiosa evidência da produção cartográfica, do planeamento territorial e da administração económica do Estado português no contexto reformista do reinado de D. José I. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


1. IDENTIFICAÇÃO GERAL

Tipo de peça
Documento de Serviço (Ordem Militar) Isento de Portes.

Origem
Tavira. 

Destino
Dirigida ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Armeiro-Mor

Data
12 de março de 1773.

Autor / Remetente
José António de Sá Sampaio. 

Destinatário
O titular do cargo de Armeiro-Mor do Reino, D. José Francisco da Costa e Sousa (futuro 2.º Visconde de Mesquitela). [link: Pombalia 1773]

Emissão filatélica associada
Não aplicável. Trata-se de correspondência pré-filatélica, produzida aproximadamente 67 anos antes da introdução do selo postal adesivo.

2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

Suporte

  • Carta manuscrita sobre papel de trapo.
  • Fólio único dobrado para expedição.
  • Escrita a tinta ferrogálica.
  • Redação distribuída por várias páginas.

Elementos postais

Marcas postais

Ausência de marcas: A peça não apresenta marcas pré-filatéricas, marcas de porte ou taxas, visto tratar-se de um Documento de Serviço Oficial. A circulação foi efetuada através de estafeta militar própria (mão própria), circuito que gozava de franquia régia absoluta e que operava de forma independente do Correio-Mor e das malas do correio público.

Dobragem postal

A peça apresenta as dobras típicas de circulação das cartas administrativas do século XVIII, quando o próprio documento servia simultaneamente de conteúdo e invólucro.

Carta oficial de serviço expedida de Tavira em 12 de março de 1773 por José António de Sá Sampaio, relacionada com uma ordem régia para a elaboração de cartas topográficas do Algarve. O documento solicita a mobilização de oficiais engenheiros para o levantamento da rede viária entre Monchique e Portimão e para o inventário dos sapais, salgados e marinhas de sal do litoral algarvio. Constitui uma valiosa evidência da produção cartográfica, do planeamento territorial e da administração económica do Estado português no contexto reformista do reinado de D. José I. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Natureza do documento

A carta constitui uma ordem administrativa relativa à realização de levantamentos cartográficos no Algarve, determinada por ordem régia. O remetente solicita ao Armeiro-Mor que mobilize os oficiais engenheiros então destacados no Alentejo para executarem diversos levantamentos topográficos. 

Objetivos dos levantamentos

Rede viária

É solicitada uma carta topográfica da zona compreendida entre:

  • Monchique;
  • Vila Nova de Portimão.

O objetivo consistia em identificar e projetar caminhos capazes de melhorar a comunicação entre as duas localidades, procurando percursos que minimizassem os custos de construção e os obstáculos topográficos. 

Exploração salineira

São igualmente requeridos levantamentos dos:

  • sapais;
  • salgadas;
  • marinhas de sal.

Em particular para:

  • Lagos;
  • São Vicente;
  • Alvor;
  • Vila Nova de Portimão;
  • Silves;
  • Albufeira;
  • Quarteira;
  • Loulé;
  • Faro;
  • Olhão;
  • Tavira;
  • Cacela;
  • Monte Gordo;
  • Castro Marim. 

O texto determina que sejam avaliadas áreas aptas para marinhas de sal, identificando talhos, viveiros e depósitos, distinguindo simultaneamente as zonas mais adequadas para agricultura. 

Contexto histórico

A carta insere-se no reinado de D. José I e no período das reformas do Marquês de Pombal, caracterizado por:

  • racionalização administrativa;
  • levantamento sistemático de recursos económicos;
  • melhoria das infraestruturas de comunicação;
  • uso crescente da engenharia militar em projetos de planeamento territorial.

Embora o documento não mencione diretamente o Marquês de Pombal, o conteúdo enquadra-se claramente nas práticas administrativas e técnicas do reformismo ilustrado português da década de 1770.

Interesse para a história da cartografia

A carta constitui evidência documental da utilização de engenheiros ao serviço da Coroa para:

  • recolha de informação territorial;
  • planeamento de vias de comunicação;
  • inventário económico dos recursos salineiros do Algarve.

Neste sentido, possui interesse simultâneo para a história postal, administrativa, económica e cartográfica.

4. TRANSCRIÇÃO

Existe transcrição integral disponível no documento 

Trecho representativo:

"Para dar execução à ordem de Sua Majestade (...) queira mandar os oficiais Engenheiros que se acham neste Alentejo tirar logo as seguintes Cartas Topográficas." 

"Outra Carta Topográfica de salgada e Sapais da Cidade de Lagos e São Vicente..." 

"Tavira, 12 de Março de 1773." 

.

Carta oficial de serviço expedida de Tavira em 12 de março de 1773 por José António de Sá Sampaio, relacionada com uma ordem régia para a elaboração de cartas topográficas do Algarve. O documento solicita a mobilização de oficiais engenheiros para o levantamento da rede viária entre Monchique e Portimão e para o inventário dos sapais, salgados e marinhas de sal do litoral algarvio. Constitui uma valiosa evidência da produção cartográfica, do planeamento territorial e da administração económica do Estado português no contexto reformista do reinado de D. José I. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Factos documentados

O documento comprova que:

  • existia uma ordem régia para levantamento cartográfico;
  • estavam disponíveis oficiais engenheiros para esse trabalho;
  • a administração pretendia melhorar a ligação entre Monchique e Portimão;
  • pretendia igualmente inventariar e planear os recursos salineiros do Algarve. 

Interpretação

A carta reflete uma abordagem típica do Estado ilustrado setecentista, baseada na produção de conhecimento técnico do território para apoio à administração económica.

A preocupação simultânea com estradas e salinas sugere uma visão integrada de desenvolvimento regional, ligando mobilidade, produção e arrecadação económica.

Aspetos que requerem validação adicional

  • Identificação precisa do cargo exercido por José António de Sá Sampaio.
  • Localização arquivística eventual das cartas topográficas resultantes destas ordens.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

Interesse para coleção

Muito elevado para:

  • Pré-filatelia portuguesa;
  • História Postal de Portugal;
  • Cartografia histórica;
  • História do Algarve;
  • Administração pombalina.

Raridade

A correspondência administrativa setecentista original relacionada com programas específicos de levantamento topográfico apresenta interesse especializado significativo e é menos comum do que a correspondência comercial do mesmo período.

Potencial expositivo

Elevado, especialmente em exposições temáticas sobre:

  • comunicações internas do Reino;
  • cartografia;
  • engenharia militar;
  • aproveitamento económico do território;
  • história do Algarve.

Potencial de publicação

Peça de elevado interesse para a Classe de História Postal (Secção de Linhas de Estafetas e Correio Oficial Coevo), demonstrando como o Estado Absolutista geria as suas comunicações estratégicas e de engenharia militar à margem do sistema postal público de tarifa.

7. NOTAS METODOLÓGICAS

  1. Não foram observadas marcas postais inequívocas nas imagens disponíveis.
  2. A identificação funcional de José António de Sá Sampaio não pode ser considerada conclusiva sem investigação complementar. 
  3. O enquadramento histórico relativo às reformas administrativas do período constitui contextualização interpretativa e não informação explicitamente presente no documento.
  4. A peça possui valor documental que ultrapassa o âmbito estritamente postal, constituindo testemunho relevante da produção cartográfica e do planeamento territorial português no século XVIII.

Título curatorial sugerido:
Cartografia de Estado: Documento de Serviço e Ordem Militar para o Levantamento do Algarve, Tavira, 1773