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domingo, 19 de julho de 2026

Carta Pré‑Filatélica do Carmo de Tavira para o 2.º Visconde de Mesquitela (1781) PT-CC1781-FH

Um testemunho das redes de influência e da administração do Escaler do Governador no Algarve de D. Maria I.

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL


2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

Caracterização do suporte

Carta manuscrita em papel vergé dobrado, utilizada simultaneamente como folha de texto e sobrescrito, segundo o modelo corrente da correspondência portuguesa setecentista.

A peça conserva:

  • folha manuscrita original;
  • sobrescrito original;
  • dobras de circulação;
  • endereçamento manuscrito integral.

A escrita foi executada com tinta ferrogálica castanho-escura.

A assinatura autógrafa de Frei João Crisóstomo encontra-se no final do texto. 

Selos

Não aplicável.

A carta antecede em mais de meio século a introdução dos selos adesivos em Portugal.

Carimbos

Tipologia

Não observados.

Local

Não observável.

Data

Não observável.

Cor

Não aplicável.

Legibilidade

Não aplicável.

Outros elementos postais

Endereçamento

O sobrescrito apresenta a seguinte inscrição:

“Ao Ill.mo e Ex.mo Senhor D. Joze Francisco da Costa e Souza [...] Armador Mor de Sua Mag.de Fidelíssima...” 

Porte

Não observável.

Franquia

Não aplicável.

Marcas postais

Não observadas.

Taxações

Não observadas.

Censuras

Não aplicável.

Ambulantes ferroviários

Não aplicável.

Marcas de desinfecção

Não observadas.

Lacre

Não visível nas imagens analisadas.


3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Interpretação do percurso postal

A carta foi redigida no Carmo de Tavira em 2 de Março de 1781.

A ausência de marcas postais impede a reconstrução precisa do seu trajeto.

É plausível que tenha circulado através das ligações terrestres e marítimas que uniam o Algarve à Corte em Lisboa, mas tal percurso não pode ser demonstrado apenas pela peça.

Contexto histórico

O documento insere-se no reinado de D. Maria I e testemunha o funcionamento das redes de influência e patronagem características do Antigo Regime português.

A carta demonstra a intervenção de figuras religiosas e nobiliárquicas em processos de recomendação relacionados com cargos dependentes da administração régia.

Contexto político-administrativo

O remetente solicita a intervenção de D. José Francisco da Costa e Sousa junto de um “novo governador” para garantir a permanência de um indivíduo identificado como “Patrão Francisco” num cargo associado ao Escaler. 

O texto evidencia o funcionamento de redes de proteção política baseadas em favores, recomendações e patrocínios.

O Escaler do Governador

A referência ao Escaler constitui o elemento historicamente mais relevante da carta.

Documentação complementar indica que o Escaler era uma embarcação oficial ligada ao Governador das Armas do Reino do Algarve, utilizada para deslocações institucionais e serviço oficial na área de Tavira.

Existem registos históricos da existência de um “Escaler do Rei” ou “Escaler do Governador” sediado em Tavira, cuja manutenção era suportada por receitas públicas locais.

Quando Frei João Crisóstomo escreve:

“pedir por elle ao novo governador para o conservar no Escaler”

o documento parece referir-se à manutenção de um cargo associado a essa estrutura náutica oficial.

Contexto local

Após o terramoto de 1755, Tavira assumiu papel relevante na governação administrativa e militar do Algarve.

A carta constitui testemunho da ligação entre as elites locais algarvias e os círculos de poder da Corte.

Intervenientes identificados

Intervenientes diretos

Intervenientes indiretos

  • Senhora Armeira‑Mor. 
  • Patrão Francisco. 
  • Novo Governador. 
  • Alvarenga.

4. TRANSCRIÇÃO

Transcrição diplomática do fecho

D.ˢ gde a V.ᵃ Ex.ᵃ m.ˢ an.ˢ Carmo de Tavira 2 de M.ᶜᵒ de 1781. De V.ᵃ Ex.ᵃ S.ᵒ m.ᵗᵒ v.ᵒʳ e obrig.ᵒ. Fr. João ChrysoStomo. 

Leitura desabreviada

Deus guarde a Vossa Excelência muitos anos. Carmo de Tavira, 2 de Março de 1781. De Vossa Excelência, seu muito venerador e obrigado. Frei João Crisóstomo.


5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Factos observáveis

✅ A carta foi escrita em Carmo de Tavira em 2 de Março de 1781. 

✅ O remetente é Frei João Crisóstomo. 

✅ O destinatário é D. José Francisco da Costa e Sousa, identificado no sobrescrito como Armador‑Mor de Sua Majestade Fidelíssima. 

✅ O texto menciona um Patrão Francisco, um novo governador e um indivíduo identificado como Alvarenga. 

✅ O texto refere explicitamente um Escaler. 


Interpretações fundamentadas

⚠️ A carta documenta um mecanismo de recomendação política típico do Antigo Regime. 

⚠️ O cargo do Patrão Francisco parece depender da confiança do governador e poderá estar relacionado com o Escaler oficial da governação algarvia. 

⚠️ O documento constitui evidência relevante da articulação entre Tavira, o Paço e a alta administração portuguesa. 


Aspetos que requerem validação adicional

⚠️ Identificação completa do Patrão Francisco.

⚠️ Identificação definitiva do “novo governador”.

⚠️ Reconstrução do percurso postal.

⚠️ Existência de lacre ou marcas postais no verso não analisado.

⚠️ Determinação de filigrana e identificação do fabricante do papel.


6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

Interesse filatélico

Médio.

Peça relevante para pré-filatelia portuguesa.

Interesse marcofílico

Baixo a médio.

Ausência de marcas postais observáveis.

Interesse histórico-postal

Muito elevado.

Documenta circulação postal pré‑filatélica entre Algarve e círculos da Corte.

Interesse cartófilo

Não aplicável.

Interesse de filatelia social

Excecional.

Permite estudar redes de influência, proteção e recomendação.

Interesse documental

Excecional.

Fonte primária para história regional, administrativa e marítima.

Interesse expositivo

Excecional.

Adequada para exposições de:

  • História Postal Portuguesa;
  • Algarve Setecentista;
  • Tavira Administrativa;
  • História Marítima;
  • Filatelia Social;
  • Redes de Poder do Antigo Regime.

Grau de raridade

Não quantificável sem estudo comparativo.

Contudo, a conjugação de:

  • carta completa;
  • sobrescrito original;
  • destinatário de elevada relevância política;
  • referência ao Escaler do Governador;

confere-lhe interesse muito significativo.

Potencial para coleção

Muito elevado.

Potencial para exposição

Excecional.

Potencial para publicação

Excecional.

Potencial de investigação futura

Excecional.


7. SUGESTÃO DE TEXT ALT

Carta pré‑filatélica manuscrita datada de 2 de março de 1781, enviada de Carmo de Tavira para D. José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque, 2.º Visconde de Mesquitela e Armador‑Mor da Casa Real. O documento aborda pedidos de recomendação política relacionados com a manutenção de um cargo associado ao Escaler do Governador do Algarve e testemunha redes de influência entre o Algarve e a Corte portuguesa durante o reinado de D. Maria I. Conserva texto manuscrito integral e sobrescrito original. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


8. CODIFICAÇÃO

Código principal

PT-CPR-1781-TAV-MESQUITELA-ESCALER

Tabela de descodificação


9. REFERÊNCIAS

Fontes Primárias

Carta de Frei João Crisóstomo para D. José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque, Carmo de Tavira, 2 de Março de 1781.

Sobrescrito original da mesma correspondência. 

Fontes Arquivísticas

Academia das Ciências de Lisboa. Processo: José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque (1740–1802), 2.º Visconde de Mesquitela, Armeiro e Armador‑Mor e Brigadeiro dos Reais Exércitos. 

Bibliografia e enquadramento

Estudos sobre Tavira enquanto sede da governação do Reino do Algarve e sobre o Escaler do Governador. 


10. NOTAS METODOLÓGICAS

✅ Evidência documental

  • Data da carta.
  • Local de emissão.
  • Remetente.
  • Destinatário.
  • Conteúdo integral.
  • Referência ao Escaler.
  • Referência ao novo governador.
  • Sobrescrito original.

⚠️ Interpretação histórica

  • Funções exatas do Patrão Francisco.
  • Identidade do novo governador.
  • Percurso postal seguido pela carta.
  • Relação funcional precisa entre o Escaler e a governação algarvia neste caso concreto.

Limitações da análise

  • Não foi analisado o verso integral da peça.
  • Não foi efetuado estudo de filigrana.
  • Não existem marcas postais observáveis.
  • Não existe indicação de porte.
  • Não existe confirmação documental direta do percurso.

Nível de certeza

Síntese Curatorial: Trata‑se de uma notável carta pré‑filatélica algarvia que articula história postal, administração marítima, governação do Reino do Algarve e redes de patronagem da monarquia portuguesa. A identificação do destinatário como o 2.º Visconde de Mesquitela e a referência explícita ao Escaler do Governador fazem desta peça um documento de elevado interesse para história postal contextualizada e para exposições competitivas de História Postal e Filatelia Social.

sábado, 18 de julho de 2026

Carta Administrativa do Século XVIII sobre o Reforço Logístico da Artilharia Portuguesa (1797) PT-CC-1797-FH

 Carta administrativa pré-filatélica expedida de Lisboa em 28 de março de 1797 e dirigida ao Armeiro-Mor do Reino. O documento trata da mobilização urgente de duzentas parelhas de bestas muares destinadas ao serviço da artilharia e dos transportes do Exército português, por determinação da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Constitui testemunho da logística militar portuguesa durante o período das Guerras Revolucionárias Francesas e preserva o sobrescrito e o texto manuscrito originais. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

Requisição urgente de 200 parelhas de bestas muares para o Arsenal Real do Exército durante as Guerras Revolucionárias Francesas

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL


2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

Caracterização do suporte

  • Manuscrito original sobre papel dobrado.
  • Carta integrada no próprio sobrescrito.
  • Escrita cursiva portuguesa de finais do século XVIII.
  • Tinta castanha ferrogálica.
  • Ausência de envelope autónomo.
  • Dobragens postais originais preservadas.

Selos

  • Inexistentes.
  • Documento produzido em período pré-filatélico.

Carimbos

Tipologia

  • Não observados.

Local

  • Não aplicável.

Data

  • Não aplicável.

Cor

  • Não aplicável.

Legibilidade

  • Não aplicável.

Outros elementos postais

Observados

  • Endereçamento exterior manuscrito.
  • Notas administrativas de encaminhamento.
  • Anotações arquivísticas posteriores a lápis.
  • Marcas de dobragem e encerramento.

Não observados

  • Marcas postais.
  • Marcas de porte.
  • Marcas de trânsito.
  • Marcas de chegada.
  • Selos fiscais.
  • Carimbos administrativos.
  • Censuras.
  • Desinfecções.

3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Interpretação do percurso postal

A carta foi expedida em Lisboa e dirigida ao Armeiro-Mor do Reino, dignitário ligado à Casa de Mesquitela. A ausência de marcas postais impede a reconstrução do trajeto físico da correspondência. Contudo, a sua natureza oficial sugere circulação pelos canais administrativos da monarquia portuguesa.

Enquadramento tarifário

Não é possível determinar porte, franquia ou tarifa postal por inexistirem marcas de expedição ou de tributação.

Contexto histórico

O documento foi produzido durante as Guerras Revolucionárias Francesas (1792–1802), período de elevada tensão internacional que antecedeu as Invasões Francesas e a Guerra das Laranjas (1801).

Portugal mantinha a tradicional aliança com a Grã-Bretanha, encontrando-se sob crescente pressão diplomática da França revolucionária. Em 1797, o governo português preparava-se para a possibilidade de um conflito militar na Península Ibérica, circunstância que exigia o reforço dos meios logísticos e defensivos do Reino.

Contexto institucional

A carta declara expressamente que Luís Dias Pereira atuava em cumprimento de uma determinação proveniente da:

«Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra»

e tinha sido incumbido de:

«aprumptar, e sem perda de tempo nesta Cidade 200 Parelhas de Bestas Muares»

A documentação conhecida permite identificar com elevado grau de probabilidade o remetente como Luís Dias Pereira, posteriormente documentado em funções ligadas à Real Junta da Fazenda dos Arsenais do Exército.

O papel do destinatário

O destinatário é identificado no sobrescrito como:

«Visconde Armeiro Mor»

A expressão corresponde, com elevada probabilidade, a D. José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque, 2.º Visconde de Mesquitela, que exercia em 1797 o cargo hereditário de Armeiro-Mor do Reino.

A Casa de Mesquitela encontrava-se ligada à administração régia dos armamentos e petrechos militares, acumulando funções honoríficas e logísticas relevantes para a defesa do Reino.

A importância estratégica das bestas muares

O documento incide sobre a mobilização urgente de:

«200 Parelhas de Bestas Muares»

destinadas ao:

«Serviço da Artilharia, e mais transportes do seu Exercito»

No final do século XVIII, a mobilidade das forças armadas dependia quase integralmente da tração animal. As peças de artilharia, munições e abastecimentos exigiam extensos contingentes de muares para circulação nos caminhos terrestres portugueses.

A requisição de duzentas parelhas representa um esforço logístico considerável e demonstra a dimensão das preocupações militares do período.

Mobilização coerciva de recursos

O texto revela uma situação excecional ao declarar que o remetente estava autorizado a:

«compellir os Proprietarios q' voluntariam.te naõ quizerem vendelas»

A carta constitui um testemunho direto da capacidade coerciva do Estado português em contexto de emergência militar.

Embora se garantisse o pagamento posterior pela Coroa, a necessidade militar prevalecia sobre a livre disposição dos recursos privados.

Relações com transportes, administração e economia

A peça evidencia:

  • dependência do transporte animal;
  • articulação entre administração central e aristocracia;
  • mobilização de recursos civis para fins militares;
  • importância do Arsenal Real do Exército enquanto centro logístico nacional;
  • capacidade do Estado para requisitar meios produtivos privados.

4. TRANSCRIÇÃO DIPLOMÁTICA

Excerto essencial

"Havendo-me S. Mag.e encarregado por Aviso expedido pela Secretaria de Estado dos Negocios Estrangeiros e da Guerra (...) aprumptar, e sem perda de tempo nesta Cidade 200 Parelhas de Bestas Muares, para o Serviço da Artilharia, e mais transportes do seu Exercito..."

"authorizando-me para compelir os Proprietarios q' voluntariam.te naõ quizerem vendelas..."

"no dia 3 de Abril pelas nove horas da manhãa apprezentar no Arsenal Real do Exercito as mesmas Parelhas..." 

"Lisboa 28 de Março de 1797"

"M.to obsequioso Servidor Luis Dias P.dª" 

Nota

A transcrição diplomática integral encontra-se preservada em registo separado da peça. 


5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Factos observáveis

✅ Carta manuscrita datada de Lisboa, 28 de março de 1797.

✅ Endereçada ao «Visconde Armeiro Mor».

✅ Determina a reunião de 200 parelhas de bestas muares.

✅ Animais destinados ao serviço da artilharia e dos transportes militares.

✅ Existe autorização expressa para compelir proprietários que recusassem vender os animais. 

✅ A concentração dos animais deveria ocorrer no Arsenal Real do Exército em 3 de abril de 1797.


Interpretações fundamentadas

⚠️ O destinatário corresponde, com elevado grau de probabilidade, a D. José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque, 2.º Visconde de Mesquitela.

⚠️ O remetente corresponde, com elevado grau de probabilidade, a Luís Dias Pereira, posteriormente documentado na administração dos Arsenais do Exército.

⚠️ A operação enquadra-se nas medidas de preparação militar portuguesa face às tensões internacionais das Guerras Revolucionárias Francesas.

⚠️ A dimensão da requisição sugere um dispositivo logístico de escala significativa.


Aspetos que requerem validação adicional

  • Cargo exato exercido por Luís Dias Pereira em março de 1797.
  • Série documental completa à qual pertence a carta.
  • Área geográfica abrangida pela requisição.
  • Existência de documentação complementar relativa à mesma operação.
  • Relação direta entre esta mobilização e preparativos concretos para campanhas militares posteriores.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

Interesse filatélico

Médio.

Representa um exemplo clássico de correspondência pré-filatélica administrativa.

Interesse marcofílico

Reduzido.

Não apresenta marcas postais identificáveis.

Interesse histórico-postal

Muito elevado.

Documenta o funcionamento das comunicações administrativas da monarquia portuguesa em contexto militar.

Interesse cartófilo

Não aplicável.

Interesse de filatelia social

Muito elevado.

Evidencia a relação entre Estado, aristocracia, administração militar e proprietários privados.

Interesse documental

Excecional.

Interesse expositivo

Excecional.

Adequado para exposições de:

  • História Postal Pré-Filatélica;
  • História Militar;
  • Património Documental;
  • Administração do Antigo Regime;
  • Filatelia Social e Temática.

Grau de raridade

Provavelmente elevado, embora careça de validação comparativa.

Potencial para coleção

Muito elevado.

Potencial para exposição

Excecional.

Potencial para publicação

Excecional.

Potencial de investigação futura

Excecional.


7. SUGESTÃO DE TEXT ALT

Carta administrativa pré-filatélica expedida de Lisboa em 28 de março de 1797 e dirigida ao Armeiro-Mor do Reino. O documento trata da mobilização urgente de duzentas parelhas de bestas muares destinadas ao serviço da artilharia e dos transportes do Exército português, por determinação da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Constitui testemunho da logística militar portuguesa durante o período das Guerras Revolucionárias Francesas e preserva o sobrescrito e o texto manuscrito originais. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


8. CODIFICAÇÃO

PT-CPA-1797-LIS-ARTMUA


9. REFERÊNCIAS

Fonte primária

Carta manuscrita de Lisboa para o Armeiro-Mor do Reino, 28 de março de 1797.

Fontes arquivísticas

Real Junta da Fazenda dos Arsenais do Exército. (1818, 18 de dezembro). Consulta assinada por Manuel Ribeiro de Araújo e Luis Dias Pereira, entre outros, da Real Junta da Fazenda dos Arsenais do Exército, sobre o estabelecimento de um depósito em Penaguião (PT/AHM/DIV/3/13/20/17). Arquivo Histórico Militar, Lisboa.

Bibliografia

Almeida, E. C. (1909). Archivo de Marinha e Ultramar: Inventario (Vol. II). Coimbra: Imprensa da Universidade.

Hespanha, A. M. História de Portugal Moderno.

Marques, A. H. de Oliveira. História de Portugal.

Subtil, José. O Estado e a Administração no Antigo Regime.

Estudos genealógicos e históricos sobre a Casa de Mesquitela e os ofícios hereditários da Coroa Portuguesa.


10. NOTAS METODOLÓGICAS

✅ Evidência documental

  • Data: 28 de março de 1797.
  • Origem: Lisboa.
  • Destinatário protocolar: «Visconde Armeiro Mor».
  • Requisição de 200 parelhas de bestas muares.
  • Referência ao Arsenal Real do Exército.
  • Referência à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.
  • Poder para compelir proprietários à venda dos animais.
⚠️ Interpretação histórica
  • Identificação de Luís Dias Pereira como remetente.
  • Identificação de D. José Francisco da Costa e Sousa e Albuquerque como destinatário.
  • Relação direta da requisição com os preparativos militares decorrentes das Guerras Revolucionárias Francesas.
  • Avaliação da raridade da peça.
Limitações da análise
  • Ausência de marcas postais ou fiscais.
  • Necessidade de confirmação prosopográfica definitiva dos intervenientes.
  • Falta de documentação complementar associada ao mesmo processo administrativo.
  • Nível de certeza

    Muito elevado para o conteúdo documental, cronologia e finalidade da peça.

    Elevado para a identificação institucional dos intervenientes.

    Moderado a elevado para a contextualização prosopográfica e enquadramento estratégico específico.


    Nota Curatorial

    Mais do que uma simples carta administrativa, este documento constitui um raro testemunho da mobilização logística do Estado português às vésperas das grandes convulsões militares do período napoleónico. A requisição coerciva de duzentas parelhas de muares evidencia a dependência da máquina militar relativamente aos recursos civis e ilustra de forma concreta como a defesa do Reino assentava numa complexa rede de administração, transporte, abastecimento e autoridade régia.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Capa de Expedição em Correio Oficial das Cartas Topográficas dos Sapais e Salgados do Algarve (Século XVIII)

Capa de expedição administrativa utilizada para acompanhar cartas topográficas e documentação relativa aos sapais e salgados do Algarve, provavelmente enviada pelo Governador e Capitão-General José António de Sá Sampaio ao Armeiro-Mor do Reino. A peça documenta a circulação oficial de informação cartográfica, militar e fiscal durante o século XVIII, constituindo um raro testemunho material da administração territorial e da produção cartográfica do Antigo Regime. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.


IDENTIFICAÇÃO GERAL (versão revista)

Tipo de peça

Capa de remessa administrativa e militar utilizada para o envio de documentação cartográfica oficial.

Natureza documental

Documento de circulação interna da administração régia, destinado a identificar e acompanhar um conjunto de cartas topográficas e documentos correlatos.

Datação

c. 1773 (datação contextual, baseada na associação documental com as ordens régias relativas ao levantamento dos sapais e salgados do Algarve).

Grau de certeza: provável.

Autoridade remetente

José António de Sá Sampaio, Governador e Capitão-General do Reino do Algarve.

Destinatário

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Armeiro-Mor do Reino.

Identificação provável: D. José Francisco da Costa e Sousa.

DESCRIÇÃO MATERIAL

Suporte

Papel de trapo manuscrito a tinta ferrogálica.

Configuração física

Folha única dobrada, empregue como capa exterior de expediente ou de maço documental.

Estado de conservação

Bom estado geral de conservação.

Observam-se:

  • desgastes periféricos;
  • pequenas perdas nas margens;
  • orifício central resultante de antiga perfuração ou sistema de fixação;
  • vincos compatíveis com dobragem postal e arquivística.

Dimensões

Não determinadas.

TRANSCRIÇÃO PALEOGRÁFICA REVISTA

A leitura apresentada pode ser ligeiramente refinada.

Transcrição diplomática proposta

e Preço das Cartas Topographicas
dos Sapães e Salgados.

Ao Ill.mo
e Ex.mo Sr. Armeiro
Mor de Pt.

Do Cons.º de S. Mag.e; Go=
vernador, e Cap.am Gene=
ral de todo este R.no do Alg.e

Do Dez.or Superinte.te da Alf.a

Observações

  • A abreviatura "Cons.º de S. Mag.e" é mais provavelmente "Conselho de Sua Majestade" do que um título nobiliárquico.
  • "Pt." poderá significar Portugal, mas convém assinalar a leitura como provável.
  • "Sapães" ou "Sapáes" corresponde à grafia setecentista de sapais.
  • "Alf.a" lê-se claramente como Alfândega.

ANÁLISE HISTÓRICA

Natureza da remessa

A peça funciona como capa identificadora de uma expedição oficial contendo:

  • cartas topográficas;
  • documentação administrativa relativa aos trabalhos executados;
  • eventual demonstrativo de custos associado à elaboração dos levantamentos.

Relevância administrativa

O documento evidencia a articulação entre:

  • Governo Militar do Algarve;
  • administração alfandegária regional;
  • Armeiro-Mor do Reino;
  • estruturas centrais da Coroa.

Relevância para a cartografia

A peça constitui evidência material da circulação administrativa de documentação cartográfica produzida no contexto das reformas ilustradas do século XVIII.

O seu interesse ultrapassa o âmbito postal, alcançando:

  • história da cartografia;
  • engenharia militar;
  • administração fiscal;
  • gestão territorial do litoral algarvio.

COMENTÁRIO INTERPRETATIVO (mais prudente)

Factos observáveis

O documento comprova que:

  • existiam cartas topográficas relativas aos sapais e salgados;
  • essas cartas foram formalmente remetidas à autoridade central;
  • a expedição envolveu simultaneamente autoridades militares e alfandegárias;
  • existia um elemento associado a custos ou avaliação económica dos trabalhos.

Hipóteses plausíveis

É possível que:

  • os levantamentos fossem financiados ou fiscalizados através das estruturas alfandegárias locais;
  • a documentação tivesse por objetivo a validação técnica e financeira dos trabalhos executados.

Contudo, estas interpretações carecem de confirmação por documentação complementar.

VALOR CURATORIAL

Grau de raridade

Muito elevado.

São pouco frequentes:

  • capas de remessa setecentistas conservadas isoladamente;
  • documentos que mencionem explicitamente cartas topográficas;
  • testemunhos administrativos ligados à cartografia militar do Algarve anterior ao período liberal.

Interesse expositivo

A peça permite ilustrar simultaneamente:

  1. circulação oficial de correspondência militar;
  2. produção cartográfica do Estado português;
  3. administração fiscal do Algarve setecentista;
  4. logística documental do Antigo Regime.

Título curatorial

"Capa de Expedição das Cartas Topográficas dos Sapais e Salgados do Algarve (c. 1773?)"


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Carta Pré-Filatélica de 1852: Rio de Janeiro para o Porto com Marcas de Desinfecção (BR-CC-1852-RJ-PBRIT-LSELO-SANIT-GPMF)

A presente ficha de catálogo analisa uma carta pré‑filatélica expedida do Rio de Janeiro para o Porto em 1852. Para além das suas características postais, a peça oferece um testemunho relevante das redes de comunicação atlântica e das práticas sanitárias associadas às epidemias do século XIX.

Carta pré-filatélica de 1852, enviada do Rio de Janeiro para o Porto. Analisamos as marcas postais, o carimbo P. BRIT. e os cortes de desinfecção.

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL

  • Tipo de peça: Carta completa (sobrescrito circulado) pré‑filatélica
  • Origem e destino: Rio de Janeiro (Brasil) → Porto (Portugal), com trânsito em Lisboa
  • Data(s):
    • Partida: 19 de Abril de 1852
    • Trânsito em Lisboa: 10 de Maio de 1852
    • Chegada ao Porto: 13 de Maio de 1852
  • Emissão filatélica associada: Não aplicável (período pré‑filatélico)
  • Autor / Remetente / Destinatário:
    • Destinatário: Sr. Vicente José de Carvalho Vieira

2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

  • Suporte: Carta dobrada (sem envelope separado), papel manuscrito, apresentando cortes e manchas de desinfecção
  • Selos: Inexistentes
  • Carimbos e marcas postais:
    • Marca de imposto postal (“Lei do Selo”): “LEY DE 20 … 35 Rs.” em tinta castanho‑violeta (tipologia LSB Tipo I)
    • Marca “P. BRIT.” em azul (LSB-PB2), indicativa de encaminhamento por via britânica
    • Indicação selo fixo “720” em azul (porte tipo I)
  • Outros elementos postais:
    • Anotação manuscrita “80”, associada a porte territorial
    • Cortes de desinfecção claramente visíveis
    • Vestígios de manipulação administrativa (marcas manuscritas adicionais)

3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

  • Percurso postal:
    Carta expedida no Rio de Janeiro, transportada por via marítima (provavelmente em mala britânica), com entrada em Lisboa e posterior reexpedição para o Porto.

  • Enquadramento tarifário:

    • Porte “720” réis atribuído em Lisboa
    • Acréscimo de “80” réis para distribuição interna (total: 800 réis)
    • Aplicação do imposto da Lei do Selo: 35 réis
      (Interpretação coerente com a legenda e com práticas tarifárias conhecidas, carecendo de validação regulamentar direta.)
  • Contexto histórico:
    Inserida na fase final do período pré‑filatélico português, a peça testemunha o funcionamento das rotas transatlânticas pós‑independência do Brasil, nas quais a intermediação britânica desempenhava papel central.

  • Particularidades relevantes:

    • Conjugação de marca fiscal e marca de encaminhamento internacional
    • Estrutura tarifária composta (intercontinental + territorial)
    • Evidência material de desinfecção postal

4. TRANSCRIÇÃO

“Sr. Vicente José de Carvalho Vieira
Porto”

5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

A carta constitui um exemplo significativo da articulação entre sistemas postais nacionais e redes internacionais privadas no Atlântico oitocentista. A marca “P. BRIT.” sugere integração em circuitos britânicos de transporte postal, reconhecidos pela sua regularidade.

A estrutura tarifária (720 + 80) evidencia a dupla incidência de custos — transporte marítimo e distribuição interna — aplicada no ponto de entrada em território português. Esta prática é consistente com o modelo administrativo da época, embora a decomposição exata de valores deva ser confirmada por fontes regulamentares.

Do ponto de vista histórico-social, a identificação do destinatário permite contextualizar a peça:
Vicente José de Carvalho Vieira foi um cidadão abastado e proprietário no Porto, cuja memória se encontra associada, designadamente, à arquitetura funerária do Cemitério da Lapa.
Esta informação reforça o estatuto socioeconómico do destinatário e sugere a integração da correspondência em redes comerciais ou patrimoniais transatlânticas.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

  • Interesse: Elevado, pela convergência de dimensões postal, fiscal e sanitária
  • Raridade: Média a elevada para peças com percurso completo, múltiplas marcas e desinfecção
  • Proveniência:
    • Ex‑coleção Félix da Costa
    • Adquirida em Frazão Auctions
  • Potencial expositivo: Muito elevado (História postal luso‑brasileira; correio marítimo; desinfecção postal; fiscalidade)
🗺️ MATRIZ DE LEGENDA DE CODIFICAÇÃO
BlocoCódigoTermo ExtensoSignificado / Critério Filatélico & Curatorial
1. PaísBRBrasilPaís de origem geográfica/postal onde a carta foi depositada.
2. TipoCCCarta CompletaCarta completa dobrada, com texto integral, circulada sem sobrescrito independente.
3. Ano1852Ano de ExpediçãoAno cronológico da circulação postal da peça.
4. CidadeRJRio de JaneiroCidade/Porto de origem onde foi aplicada a primeira marca postal.
5. ViaPBRITPaquete BritânicoRota marítima efetuada por navios da Royal Mail Steam Packet Company.
6. FiscalLSELOLei do SeloIndica a aplicação de imposto postal (ex: carimbo Ley de 20/50 - 35 R$).
7. SanitárioSANITSanitária / DesinfetadaPresença de evidências de tratamento epidémico (cortes de desinfecção).
8. ColeçãoGPMFGuia de Pré-Filatelia e MarcofiliaIdentificador exclusivo do acervo/guia principal do Museu.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Carta Pré-Filatélica De Hamburgo para Lisboa em 1847 (DE-HP-1841-HAM-LIS)

 


Breve analise de uma carta comercial pré-filatélica de 1837, enviada por via marítima de Hamburgo para Lisboa. O conteúdo foca-se na exportação de manteiga de alta qualidade para a capital portuguesa, detalhando custos, margens de lucro e taxas de câmbio da época. As fontes destacam a importância das redes mercantis na Baixa lisboeta, especificamente a colaboração entre agentes britânicos e alemães. Além do valor histórico, o arquivo examina marcas postais raras, como o carimbo "C. EST. de N.", e descreve as rotas de navegação atlânticas. Este conjunto documental ilustra o funcionamento do comércio global no século XIX e a integração de Portugal nos circuitos económicos europeus.