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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Bilhete postaL ilustrado de Anvers - Le Marché aux Oeufs (BE-BPI-1904-CCH)

Postal ilustrado da cidade de Antuérpia circulado para Montevideu em novembro de 1904, documentando um percurso postal transatlântico com passagem por Lisboa. A peça reúne três marcas postais cronologicamente articuladas — partida, trânsito e chegada — permitindo reconstituir com elevado grau de segurança a circulação da correspondência entre a Europa e a América do Sul no início do século XX. A vista urbana representada, associada ao transporte ferroviário e marítimo internacional, transforma este documento num testemunho exemplar da globalização das comunicações durante a Belle Époque. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

1. Descrição

Postal ilustrado circulado internacionalmente, expedido de Anvers (Antuérpia, Bélgica) para Montevideo (Uruguai), apresentando no anverso a vista urbana intitulada “Anvers. Le Marché aux Oeufs”.
Peça característica da Idade de Ouro do postal ilustrado (Belle Époque), combinando valor iconográfico urbano com percurso postal integralmente documentado.

2. Elementos filatélicos

Selo

  • País: Bélgica
  • Tipo: Brasão de Armas com cupão dominical (Ne pas livrer le dimanche / Niet bestellen op zondag)
  • Valor facial: 5 centimes
  • Cor: Verde
  • Período de uso: 01.09.1893 – 14.10.1915
  • Posição: canto superior direito (verso)
  • Estado: bom, bem conservado

3. Obliterações (carimbos)

Carimbo de partida

  • Local: Anvers – Rue de Jésus
  • Data: 18 NOV 1904
  • Tipo: circular datador urbano
  • Função: aceitação postal e obliteração

Carimbo de trânsito

  • Local: Lisboa Central – 2ª Secção
  • Data: 22 NOV 1904
  • Tipo: circular de trânsito
  • Função: triagem e encaminhamento para correio marítimo

Carimbo de chegada

  • Local: Montevideo
  • Data: 09 DEZ 1904
  • Tipo: circular de chegada
  • Elementos adicionais: letra de secção (“B”) e numeração manuscrita

4. Remetente e destinatário

Remetente

  • Nome: Louis Coens
  • Morada: 41 rue Lozane (leitura paleográfica)
  • Local: Anvers – Bélgica

Destinatário

  • Nome: Sr. Ramon Sambrán
  • Morada: Canelones 191
  • Local: Montevideo – Uruguai

5. Classificação e taxa postal

  • Indicação: Imprimé
  • Categoria: impresso / postal ilustrado com tarifa reduzida
  • Taxa: 5 centimes
  • Regime: compatível com correio internacional

6. Percurso postal reconstruído

Rota provável

Anvers → rede ferroviária europeia → Lisboa → vapor transatlântico → Montevideo

Cronologia

Duração

  • Antuérpia → Lisboa: ~4 dias
  • Lisboa → Montevideo: ~17 dias
  • Total: ~21 dias

7. Transporte marítimo (identificação provável)

Janela de embarque

  • Lisboa: 22–25 NOV 1904

Linhas postais compatíveis

  • Royal Mail Steam Packet Company (Reino Unido)
  • Hamburg Südamerikanische Dampfschifffahrts-Gesellschaft (Alemanha)

Navios candidatos

Linha britânica (alta probabilidade)

  • RMS Danube
  • RMS Nile

Linha germânica (alternativa plausível)

  • SS Cap Blanco
  • SS Cap Ortegal

Síntese técnica

O tempo de trânsito (≈17 dias Lisboa–Montevideo) é plenamente compatível com estas linhas regulares. A atribuição a um vapor específico permanece probabilística, baseada na correlação entre as datas das marcas postais, frequência das carreiras e tempos médios de navegação.


Bilhete-postal ilustrado representando a via denominada “Le Marché aux Œufs”, em Antuérpia (Anvers), Bélgica. A imagem mostra uma perspetiva urbana com edifícios alinhados ao longo da rua, estabelecimentos comerciais ao nível térreo, transeuntes distribuídos pela via pública e candeeiros de iluminação urbana. Ao fundo destaca-se a torre da Catedral de Nossa Senhora de Antuérpia, elemento marcante da paisagem arquitetónica da cidade. O exemplar apresenta legenda impressa identificando o local e inscrição manuscrita na frente. Documento postal de interesse iconográfico para o estudo da paisagem urbana histórica e da circulação de bilhetes-postais ilustrados. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

8. Elementos iconográficos

Vista urbana de Antuérpia (“Marché aux Oeufs”), incluindo:

  • arquitetura flamenga tradicional
  • torre da Catedral de Nossa Senhora
  • comércio urbano e letreiros
  • circulação quotidiana

👉 Documento visual da cidade no início do século XX


9. Elementos editoriais e técnicos

  • Técnica: fototipia (héliotypie)
  • Datação: c. 1898–1904
  • Verso: tipo “lado reservado ao endereço”
  • Edição compatível com: Nels, Star, De Graeve

👉 Característico do período anterior à generalização do verso dividido


10. Elementos textuais e linguísticos

  • Postal bilingue (francês / neerlandês)
  • Indicações:
    • “Carte Postale”
    • “Zijde voor het adres alleen”

👉 Reflexo da realidade linguística belga


11. Manuscrito

  • Data: 17/11/1904
  • Assinatura: Louis Coen
  • Conteúdo: ausência de mensagem desenvolvida

👉 Compatível com uso funcional


12. Interpretação histórico-postal

Características

  • percurso completo documentado
  • cronologia coerente e fechada
  • integração de três sistemas postais
  • articulação ferrovia–vapor

Função

  • uso sob tarifa reduzida
  • circulação eficiente

👉 Possível:

  • correspondência funcional
  • intercâmbio cartofílico

13. Importância filatélica

✅ Tripla marcação postal
✅ Percurso internacional completo
✅ Contextualização marítima plausível
✅ Integração intercontinental
✅ Valor iconográfico urbano

👉 Classificação:

Documento de História Postal Transatlântica (Belle Époque)


14. Conclusão

Postal de elevada coerência documental, reunindo:

  • valor postal
  • valor histórico
  • valor iconográfico
  • valor logístico

👉 Representa, de forma clara e verificável, o funcionamento das redes globais de comunicação no início do século XX, ligando Antuérpia, Lisboa e Montevideo num percurso integralmente rastreável.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bilhete Postal Ilustrado Sintra - Palácio da Pena / Edição Costa n.º 624 (PT-BPI-1904-PAHPS-SIN)

Bilhete-postal ilustrado de Sintra representando o Real Castello da Pena, atualmente conhecido como Palácio Nacional da Pena. A imagem apresenta uma vista geral do conjunto arquitetónico implantado sobre uma elevação densamente arborizada, destacando-se as muralhas, torres, cúpula de grandes dimensões e diferentes corpos edificados que caracterizam o monumento. Na margem superior encontra-se a legenda “REAL CASTELLO DA PENA, CINTRA”, sendo igualmente visíveis anotações manuscritas na frente do postal. Documento iconográfico destinado à divulgação de um dos mais reconhecidos marcos patrimoniais portugueses através do correio ilustrado. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL

  • Tipo de peça: Postal ilustrado circulado

  • Origem: Cintra / Sintra, Portugal

  • Destino: Rochefort (Charente‑Inférieure), França

  • Datas relevantes:

    • 22.09.1904 — data manuscrita

    • 22.09.1904 — carimbo de partida “Lisboa Gare”

    • 25.09.1904carimbo de chegada francês de duplo círculo “Type 04”

  • Emissão filatélica associada:

    • Selo D. Carlos I — tipo Mouchon, 25 réis carmim (Afinsa 141 / Mundifil 141), emissão de 1898

  • Remetente: Paul Aliseriz / Alizert (assinatura manuscrita; identidade não confirmada)

  • Destinatário: Monsieur Gazeau / Gazeaul, La Forêt, Rochefort (Charente‑Inférieure); identidade não confirmada

2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

  • Suporte: Cartão postal ilustrado, edição Costa, Rua do Ouro 295, Lisboa, n.º 624

  • Ilustração: Real Castello da Pena, Cintra — fotografia em sépia, vista panorâmica do palácio romântico sobre a serra

  • Selo:

    • 25 réis carmim, D. Carlos I tipo Mouchon, dentado 12½, impressão tipográfica

  • Carimbos:

    • Partida: Datador circular “CORREIO LISBOA GARE”, 22 SET 04, tinta preta, nítido

    • Chegada: Datador “ROCHEFORT-S-MER - CHARENTE-INF.RE”, 25 9 04, tinta preta, parcialmente legível

  • Outros elementos postais:

    • Impressão intacta: “UNION POSTALE UNIVERSELLE / PORTUGAL / BILHETE POSTAL”

    • Mensagem manuscrita vertical no anverso

    • Verso não dividido (regulamentar antes de 1906), reservado ao endereço

Verso de bilhete-postal circulado com impresso da União Postal Universal e espaços reservados para endereço e correspondência. O exemplar encontra-se endereçado a Rochefort, em França, apresentando selo português de 25 réis, carimbos postais de expedição e receção, bem como inscrições manuscritas efetuadas pelo remetente. São visíveis os elementos tipográficos característicos dos bilhetes-postais internacionais do início do século XX, incluindo a indicação de utilização do verso para a morada. Peça documental relevante para o estudo da história postal e das ligações internacionais estabelecidas através da correspondência ilustrada. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Percurso postal

O percurso Sintra → Lisboa → Rochefort segue o circuito habitual da correspondência internacional portuguesa no início do século XX. O datador de Lisboa Gare confirma a entrada na rede postal internacional no próprio dia do envio, com chegada a França três dias depois.

Enquadramento tarifário (UPU, 1904)

  • Carta internacional: 25 réis (até 20 g)

O franqueamento de 25 réis corresponde à tarifa de carta internacional, garantindo aceitação plena.

Particularidades relevantes

  • Estratégia postal implícita: O pagamento da tarifa de carta (25 réis) assegura que o postal circula sem risco de taxa adicional, independentemente do conteúdo manuscrito.

Identidade do remetente e destinatário (estado atual da investigação)

  • Remetente — Paul Aliseriz / Alizert: A assinatura é legível, mas não corresponde a nenhuma figura pública conhecida. Sem consulta a registos civis, listas de hóspedes ou diários de viagem de 1904, a identidade permanece hipotética.

  • Destinatário — Monsieur Gazeau / Gazeaul: A localização geográfica é clara (La Forêt, Rochefort), mas não é possível identificar o residente sem consultar os censos franceses de 1901 ou 1906. A identidade permanece não confirmada.

4. TRANSCRIÇÃO

Anverso (manuscrito)

Cintra, 22 (...) 1904. Bon souvenir de mon voyage. Paul Aliseriz [ou Alizert].

Verso (endereço)

Monsieur Gazeau, La Forêt, par Rochefort (Charente‑Inférieure), France.

5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Este postal constitui um testemunho da circulação turística e epistolar entre Portugal e França no início do século XX. A escolha do Palácio da Pena — ícone do romantismo português — reforça o caráter de souvenir de viagem. A peça destaca‑se pelo franqueamento correto, pela ausência de rasuras e pela simplicidade da mensagem, refletindo uma utilização postal genuína e não colecionista. As identidades do remetente e destinatário permanecem não confirmadas, abrindo espaço para investigação genealógica e contextual sobre viajantes franceses em Portugal no período pré‑1906.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

  • Interesse: elevado para coleções temáticas sobre Sintra, turismo romântico, circulação postal UPU e edições Costa

  • Raridade: moderada; postais turísticos de Sintra circulados para França são procurados

  • Potencial museológico: excelente para exposições sobre:

    • o postal ilustrado português pré‑1906

    • circulação internacional

    • práticas epistolares de viajantes estrangeiros em Portugal

terça-feira, 16 de junho de 2026

Bilhete Postal Ilustrado Belém Claustro dos Jerónimos / Edição Corrêa & Rapozo n.º 2 - João de Passos Canavarro - Santarém (PT-BPI-1902-LIS-PAHPS)

Bilhete-postal ilustrado representando o Claustro dos Jerónimos, em Belém, Portugal. A imagem mostra uma galeria do claustro com arcadas ornamentadas, colunas esculpidas e abóbadas de pedra características da arquitetura manuelina. Observa-se o corredor interior em perspetiva, com abundante decoração arquitetónica visível nos pilares e nos arcos, bem como uma passagem que conduz a outras áreas do conjunto monástico. Na margem inferior encontra-se a legenda impressa “BELEM — CLAUSTRO DOS JERONYMOS — PORTUGAL”, sendo também visíveis inscrições manuscritas na frente do postal. Documento iconográfico dedicado à divulgação do património monumental português através do correio ilustrado. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

 1. IDENTIFICAÇÃO GERAL

  • Tipo de peça: Bilhete Postal Ilustrado (BPI) de fórmula oficial, circulado com desvio de regime postal.
  • Origem e destino: Santarém (Portugal) para Die, Departamento de Drôme, Região de Auvérnia-Ródano-Alpes, França.
  • Data(s): 14 de fevereiro de 1902 (partida); 18 de fevereiro de 1902 (chegada).
  • Emissão filatélica associada: Emissão Regular de Portugal Continental, D. Carlos I, tipo "Mouchon" (Série de 1895–1899).
  • Autor/remetente/destinatário:
    • Remetente: Dr. João de Passos de Sousa Canavarro ("Jean").
    • Destinatária: Mademoiselle Marguerite Cochet.
2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA
  • Caracterização do suporte: Cartão de fórmula oficial, gramagem média, pardo/creme. Cabeçalho bilingue impresso a preto no verso; fototipia monocromática no anverso.
  • Selos: Um exemplar de D. Carlos I (Mouchon), 15 réis, verde-escuro, denteado 11 ½, aplicado no quadrante superior esquerdo do verso.
  • Carimbos:
    1. Partida: Tipo circular datador tipo 1880, legenda "SANTARÉM / 14 FEV. 02", a tinta preta sobre o selo.
    2. Chegada: Francês, circular de duplo anel, legenda "DIE / (DROME)", datado de "5^E / 18 / 02" (18 de fevereiro de 1902, 17:00h / 5 horas da tarde).
  • Outros elementos postais: Invalidação manual a tinta preta das inscrições "BILHETE POSTAL" e "CARTE POSTALE"; indicação manuscrita "Impresso" no verso. Margem do anverso com inscrição editorial: "N.º 2 — Collecção CORRÊA & RAPOZO — Rua Aurea, 214 — LISBOA".
Verso de bilhete-postal circulado com a inscrição “Bilhete Postal / Carte Postale” e campos destinados ao endereço e correspondência. O exemplar apresenta selo português de 10 réis cancelado por carimbo postal, bem como carimbo de chegada aplicado em França. A peça encontra-se endereçada a Dijon, conservando a caligrafia original do remetente e os elementos gráficos próprios dos bilhetes-postais do início do século XX. Documento postal que preserva evidências materiais da circulação internacional de correspondência ilustrada entre Portugal e França. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA
  • Interpretação do percurso postal: Depositado na estação de Santarém a 14 de fevereiro de 1902, seguiu por via férrea até Lisboa, integrando a mala internacional do Sud-Express. Cruzou a fronteira e transitou por território francês até à região do Ródano-Alpes, alcançando o destino final na histórica comuna de Die (Drôme) a 18 de fevereiro de 1902, perfazendo um trânsito internacional rápido de apenas quatro dias.
  • Enquadramento tarifário: Anomalia ou reclassificação. O remetente alterou a fórmula para usufruir da taxa de Impresso de Cortesia Internacional (5 réis pela UPU). Contudo, aplicou um selo de 15 réis, gerando um sobrefranqueamento de 10 réis face à classe de impressos e um subfranqueamento face à classe de Carta Internacional (25 réis).
  • Contexto histórico e biográfico: O anverso exibe o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos (Edição Corrêa & Rapozo). O remetente, Dr. João de Passos de Sousa Canavarro, era bacharel em Direito (Coimbra, 1896) e membro da influente dinastia liberal dos Passos de Santarém, escrevendo a partir da histórica residência familiar na Alcáçova. O seu elevado estatuto sociocultural justifica a assinatura francófona ("Jean"), a sociabilidade com a destinatária em França e o domínio técnico das normas da UPU.
  • Particularidades Curatoriais (Prática Cartófila): A alteração física do suporte levanta três hipóteses explicativas, adicionando uma vertente sociológica de enorme relevância para a época:
    1. Escassez Material: O sobrefranqueamento para 15 réis (taxa de carta interna) terá decorrido de uma falta momentânea de selos de menor valor (5 ou 10 réis) na abastada casa rural de Santarém.
    2. Prática de Colecionismo (Cartofilia): Na viragem do século, no auge da voga do colecionismo de BPIs, era frequente os colecionadores e correspondentes rasurarem deliberadamente as palavras "Bilhete Postal". Esta prática visava forçar a inclusão do objeto na categoria de "Impresso", contornando a proibição de escrever no anverso (lado da imagem). Permitia, assim, enviar o postal limpo de texto longo, contendo apenas a assinatura e data na face ilustrada (como se observa nesta peça), preservando a integridade estética da imagem para o álbum do destinatário.
    3. Erro ou Tolerância de Balcão: A aceitação em Santarém e a tolerância à chegada na Drôme indiciam que a sobretaxação de 15 réis anulou qualquer zelo burocrático sobre a descaracterização da fórmula.
4. TRANSCRIÇÃO
Verso (Manuscrito)
  • Impresso
  • M[ademoisel]le Marguerite Cochet / Die (Drôme) / France
Verso (Texto Impresso)
  • BILHETE POSTAL / CARTE POSTALE
  • D'este lado só se escreve a direcção — Côté réservé à l'adresse.
Anverso (Texto Impresso e Manuscrito)
  • BELEM — CLAUSTRO DOS JERONYMOS — PORTUGAL
  • Santarém / Portugal / Jean de Passos Canavarro

5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO
  • Análise Crítica: A peça cruza o formalismo burocrático postal com os hábitos socioculturais da Belle Époque.
  • Factos vs. Hipóteses: É factual a circulação internacional por 15 réis com destino a Die (Drôme) sem taxas de penalização. Permanece como forte hipótese de trabalho que a rasura não visou apenas a poupança tarifária (já de si anulada pelo selo de 15 réis), mas sim a obediência a um código cultural cartófilo: catalogar o objeto como impresso para justificar a transferência da assinatura e da data para o anverso, mantendo o verso estrito à morada e salvaguardando o valor estético do postal para a coleção de Mademoiselle Cochet.
6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL
  • Interesse para coleção/exposição: Elevado potencial para classes FIP de História Postal (Período de D. Carlos I) ou de Classe Aberta/Cartofilia, servindo como testemunho ideal de como a febre do colecionismo de postais no início do século XX forçava a adaptação e o desvio das fórmulas regulamentares dos correios.