quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bilhete Postal Ilustrado Sintra - Palácio da Pena / Edição Costa n.º 624 (PT-BPI-1904-PAHPS-SIN)

1. IDENTIFICAÇÃO GERAL

  • Tipo de peça: Postal ilustrado circulado

  • Origem: Cintra / Sintra, Portugal

  • Destino: Rochefort (Charente‑Inférieure), França

  • Datas relevantes:

    • 22.09.1904 — data manuscrita

    • 22.09.1904 — carimbo de partida “Lisboa Gare”

    • 25.09.1904carimbo de chegada francês de duplo círculo “Type 04”

  • Emissão filatélica associada:

    • Selo D. Carlos I — tipo Mouchon, 25 réis carmim (Afinsa 141 / Mundifil 141), emissão de 1898

  • Remetente: Paul Aliseriz / Alizert (assinatura manuscrita; identidade não confirmada)

  • Destinatário: Monsieur Gazeau / Gazeaul, La Forêt, Rochefort (Charente‑Inférieure); identidade não confirmada

2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA

  • Suporte: Cartão postal ilustrado, edição Costa, Rua do Ouro 295, Lisboa, n.º 624

  • Ilustração: Real Castello da Pena, Cintra — fotografia em sépia, vista panorâmica do palácio romântico sobre a serra

  • Selo:

    • 25 réis carmim, D. Carlos I tipo Mouchon, dentado 12½, impressão tipográfica

  • Carimbos:

    • Partida: Datador circular “CORREIO LISBOA GARE”, 22 SET 04, tinta preta, nítido

    • Chegada: Datador “ROCHEFORT-S-MER - CHARENTE-INF.RE”, 25 9 04, tinta preta, parcialmente legível

  • Outros elementos postais:

    • Impressão intacta: “UNION POSTALE UNIVERSELLE / PORTUGAL / BILHETE POSTAL”

    • Mensagem manuscrita vertical no anverso

    • Verso não dividido (regulamentar antes de 1906), reservado ao endereço


3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA

Percurso postal

O percurso Sintra → Lisboa → Rochefort segue o circuito habitual da correspondência internacional portuguesa no início do século XX. O datador de Lisboa Gare confirma a entrada na rede postal internacional no próprio dia do envio, com chegada a França três dias depois.

Enquadramento tarifário (UPU, 1904)

  • Carta internacional: 25 réis (até 20 g)

O franqueamento de 25 réis corresponde à tarifa de carta internacional, garantindo aceitação plena.

Particularidades relevantes

  • Estratégia postal implícita: O pagamento da tarifa de carta (25 réis) assegura que o postal circula sem risco de taxa adicional, independentemente do conteúdo manuscrito.

Identidade do remetente e destinatário (estado atual da investigação)

  • Remetente — Paul Aliseriz / Alizert: A assinatura é legível, mas não corresponde a nenhuma figura pública conhecida. Sem consulta a registos civis, listas de hóspedes ou diários de viagem de 1904, a identidade permanece hipotética.

  • Destinatário — Monsieur Gazeau / Gazeaul: A localização geográfica é clara (La Forêt, Rochefort), mas não é possível identificar o residente sem consultar os censos franceses de 1901 ou 1906. A identidade permanece não confirmada.

4. TRANSCRIÇÃO

Anverso (manuscrito)

Cintra, 22 (...) 1904. Bon souvenir de mon voyage. Paul Aliseriz [ou Alizert].

Verso (endereço)

Monsieur Gazeau, La Forêt, par Rochefort (Charente‑Inférieure), France.

5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO

Este postal constitui um testemunho da circulação turística e epistolar entre Portugal e França no início do século XX. A escolha do Palácio da Pena — ícone do romantismo português — reforça o caráter de souvenir de viagem. A peça destaca‑se pelo franqueamento correto, pela ausência de rasuras e pela simplicidade da mensagem, refletindo uma utilização postal genuína e não colecionista. As identidades do remetente e destinatário permanecem não confirmadas, abrindo espaço para investigação genealógica e contextual sobre viajantes franceses em Portugal no período pré‑1906.

6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL

  • Interesse: elevado para coleções temáticas sobre Sintra, turismo romântico, circulação postal UPU e edições Costa

  • Raridade: moderada; postais turísticos de Sintra circulados para França são procurados

  • Potencial museológico: excelente para exposições sobre:

    • o postal ilustrado português pré‑1906

    • circulação internacional

    • práticas epistolares de viajantes estrangeiros em Portugal