1. IDENTIFICAÇÃO GERAL
Tipo de peça: Postal ilustrado circulado
Origem: Lisboa (Portugal)
Destino: Nice (França)
Data: 25 de dezembro de 1902 (data manuscrita) e 26 de dezembro de 1902 (carimbo de partida)
Emissão filatélica associada: Selo D. Carlos I, tipo Mouchon, 25 réis carmim, emissão de 1898 (Afinsa 141 / Mundifil 141)
Remetente: Cacy Guimarães (Lisboa)
Destinatário: Mme M. Scoffier, 13 rue Masséna, Nice, Alpes‑Maritimes, França
Tipo de peça: Postal ilustrado circulado
Origem: Lisboa (Portugal)
Destino: Nice (França)
Data: 25 de dezembro de 1902 (data manuscrita) e 26 de dezembro de 1902 (carimbo de partida)
Emissão filatélica associada: Selo D. Carlos I, tipo Mouchon, 25 réis carmim, emissão de 1898 (Afinsa 141 / Mundifil 141)
Remetente: Cacy Guimarães (Lisboa)
Destinatário: Mme M. Scoffier, 13 rue Masséna, Nice, Alpes‑Maritimes, França
2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA
Suporte: Cartão postal impresso, edição F. A. Martins, Praça Luiz de Camões 33, Lisboa, n.º 168
Ilustração: Fotografia da Basílica da Estrela (Lisboa), em tons sépia
Selo: D. Carlos I, tipo Mouchon, 25 réis carmim
Carimbo de partida: Datador “LISBOA – CENTRAL”, 26‑12‑02, em preto
Carimbo de chegada: Datador francês Type 15, metálico de coroa dupla, legenda “NICE / ARRIVÉE”, datado de 31‑12‑02
Outros elementos: Indicação manuscrita “Imprimé”; mensagem manuscrita extensa no anverso; verso não dividido reservado ao endereço
Suporte: Cartão postal impresso, edição F. A. Martins, Praça Luiz de Camões 33, Lisboa, n.º 168
Ilustração: Fotografia da Basílica da Estrela (Lisboa), em tons sépia
Selo: D. Carlos I, tipo Mouchon, 25 réis carmim
Carimbo de partida: Datador “LISBOA – CENTRAL”, 26‑12‑02, em preto
Carimbo de chegada: Datador francês Type 15, metálico de coroa dupla, legenda “NICE / ARRIVÉE”, datado de 31‑12‑02
Outros elementos: Indicação manuscrita “Imprimé”; mensagem manuscrita extensa no anverso; verso não dividido reservado ao endereço
3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA
Percurso postal
Lisboa → rede internacional UPU → Nice, com registo de chegada às 08:30 da manhã de 31‑12‑1902, conforme o datador Type 15.
Enquadramento tarifário (UPU, 1902)
Carta internacional: 25 réis por 15 g
Bilhete postal internacional: 20 réis
Impressos: 5 réis por 50 g
Regra UPU: impressos só podiam conter até cinco palavras manuscritas de cortesia.
Carta internacional: 25 réis por 15 g
Bilhete postal internacional: 20 réis
Impressos: 5 réis por 50 g
Regra UPU: impressos só podiam conter até cinco palavras manuscritas de cortesia.
O texto manuscrito no anverso excede amplamente esse limite, invalidando a tarifa de impresso.
Particularidades de História Postal (versão integrada)
1. Estratégia sistemática do remetente
Ao longo de 1902, Cacy Guimarães adota um procedimento repetido e consciente:
rasura a fórmula oficial “Bilhete Postal”,
escreve “Imprimé” no anverso,
mas paga sempre 25 réis, a tarifa máxima de carta internacional.
Este comportamento revela uma solução técnica deliberada para garantir circulação segura.
2. Segurança na circulação
Os postais ilustrados privados — ainda não plenamente regulamentados pela UPU — eram frequentemente:
recusados,
taxados,
ou devolvidos, sobretudo quando circulavam na tarifa simples de 20 réis.
Ao pagar 25 réis, o remetente neutralizava qualquer risco de insuficiência, assegurando aceitação imediata em França.
3. Resultado prático
O sobrefranqueamento:
legitimava o texto manuscrito extenso,
evitava marcas “T” de taxa,
e garantia distribuição sem entraves.
4. A indicação “Imprimé” como prática social e colecionista
Importante: a palavra “Imprimé” não deve ser interpretada como pedido de tarifa reduzida.
Entre 1898 e 1906, tornou‑se prática comum entre colecionadores e remetentes cultos:
escrever “Imprimé” como classificação informal do postal ilustrado,
independentemente da tarifa paga,
mesmo quando o conteúdo manuscrito excedia o permitido para impressos.
Assim, no contexto desta peça, “Imprimé” funciona como etiqueta cultural, não como instrução tarifária.
4. TRANSCRIÇÃO
Anverso (manuscrito)
Église du Sacré‑Cœur de Jésus, à Lisbonne. XVIIIᵉ siècle. Bonne année. Salutations distinguées. Cacy de Guimarães, Lisbonne, 25.12.02.
Verso (endereço)
Mme M. Scoffier, 13 rue Masséna, à Nice, Alpes‑Maritimes, France.
5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO
Este postal é um testemunho exemplar da adaptação dos utilizadores às normas postais internacionais na viragem do século XX. Cacy Guimarães demonstra domínio prático das regras UPU e das vulnerabilidades associadas aos postais ilustrados privados, criando uma peça híbrida: visualmente classificada como “impresso”, mas tarifada como carta.
A estratégia revela:
literacia postal avançada,
consciência das práticas francesas de fiscalização,
e uma abordagem pragmática para garantir circulação sem penalizações.
A peça ganha valor adicional quando integrada no conjunto de correspondência do mesmo remetente, que documenta a repetição sistemática desta técnica ao longo de 1902–1903.
6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL
Interesse: muito elevado — tarifas UPU, postais ilustrados portugueses, marcas francesas Type 15, práticas sociais de circulação
Raridade: elevada quando contextualizada como parte de um conjunto coerente
Potencial museológico: ideal para narrativas sobre:
transição do bilhete postal estatal para o postal ilustrado privado
estratégias de sobrefranqueamento
limites e ambiguidades das categorias UPU
Interesse: muito elevado — tarifas UPU, postais ilustrados portugueses, marcas francesas Type 15, práticas sociais de circulação
Raridade: elevada quando contextualizada como parte de um conjunto coerente
Potencial museológico: ideal para narrativas sobre:
transição do bilhete postal estatal para o postal ilustrado privado
estratégias de sobrefranqueamento
limites e ambiguidades das categorias UPU

