1. IDENTIFICAÇÃO GERAL
| Campo | Descrição |
|---|---|
| Tipo de peça | Carta administrativa pré-filatélica |
| Origem | Ervões (Concelho de Valpaços) |
| Destino | Administrador do Concelho de Valpaços |
| Data | 7 de julho de 1844 |
| Emissão filatélica associada | Não aplicável (pré-filatelia) |
| Remetente | António Joze Roriz, Regedor do 3.º Distrito de Ervões (identificado documentalmente como autor da carta datada de 7 de julho de 1844. Não foram ainda localizadas referências biográficas adicionais que permitam determinar a sua filiação, profissão, datas de vida ou percurso administrativo.) |
| Destinatário | Ilustríssimo Senhor Administrador do Concelho de Valpaços |
| Assunto | Remessa de indivíduo suspeito de furto e participação administrativa relativa a uma jumenta reclamada por alegada proprietária de Vila Boa de Ousilhão |
2. DESCRIÇÃO MATERIAL E FILATÉLICA
Caracterização do suporte
Carta manuscrita em papel dobrado (folded letter), constituindo simultaneamente mensagem e sobrescrito.
Papel de fibras vegetais, cor creme, com marcas de dobragem postal e vestígios de fecho.
Selos
Não apresenta selos.
Correspondência produzida nove anos antes da introdução do selo adesivo em Portugal (1853).
Carimbos
Tipologia
Não observados.
Local
Não observado.
Data
Não observada.
Cor
Não aplicável.
Legibilidade
Não aplicável.
Outros elementos postais
Observáveis
- Endereçamento manuscrito.
- Dobragens postais originais.
- Vestígios de encerramento.
- Identificação funcional do remetente. (Identificação nominal do Administrador do Concelho de Valpaços em exercício a 7 de julho de 1844. O documento menciona apenas o cargo, não indicando o nome do titular.)
- Estrutura típica da correspondência administrativa portuguesa oitocentista.
Não observáveis
- Marcas postais.
- Portes manuscritos.
- Marcas de trânsito.
- Marcas de chegada.
- Franquias administrativas identificáveis.
3. ANÁLISE POSTAL E HISTÓRICA
Interpretação do percurso postal
A carta foi expedida pelo Regedor do 3.º Distrito de Ervões para o Administrador do Concelho de Valpaços.
O remetente informa que remete:
- um homem suspeito;
- um testemunho ou auto escrito;
- informação relativa à posse de uma jumenta alegadamente furtada.
Evidência documental
"Remeto a V. S.ª, um homem..."
Interpretação fundamentada
É plausível que a carta acompanhasse administrativa ou materialmente a apresentação do suspeito perante a autoridade concelhia.
Não existem marcas postais que permitam determinar se a circulação ocorreu pelo correio público ou por portador administrativo.
Contexto histórico
O documento integra-se na organização administrativa liberal portuguesa da década de 1840.
Os regedores constituíam autoridades de proximidade responsáveis por:
- ordem pública;
- policiamento local;
- comunicações administrativas;
- participação de ocorrências ao Administrador do Concelho.
A carta documenta na prática o funcionamento dessa cadeia hierárquica.
Contexto local
A narrativa envolve várias localidades do nordeste transmontano:
| Localidade | Função na ocorrência |
|---|---|
| Ervões | Local de emissão da carta |
| Sá | Local onde o suspeito foi conduzido pelos cabos de polícia |
| Bragança | Local onde a jumenta alegadamente teria sido furtada |
| Vila Boa de Ousilhão | Residência indicada pela reclamante da jumenta |
| Vinhais | Julgado a que pertencia Vila Boa de Ousilhão |
| Valpaços | Destino da correspondência e sede administrativa |
Particularidades relevantes
O documento descreve um procedimento de identificação de propriedade animal com base em:
- reconhecimento por sinais identificativos;
- testemunho da alegada proprietária;
- constituição de fiador;
- elaboração de auto testemunhal;
- remessa da ocorrência para autoridade superior.
Constitui um testemunho raro da cultura material e jurídica rural portuguesa do século XIX.
Relação com economia e sociedade
A jumenta representava um bem económico essencial para transporte agrícola e atividades quotidianas.
A mobilização das autoridades evidencia a relevância patrimonial que os animais de carga possuíam nas comunidades rurais oitocentistas.
4. TRANSCRIÇÃO
Transcrição diplomática (excerto principal)
"Remeto a V. S.ª, um homem, q.ᵉ me foi conduzido pellos Cabos de Policia do lugar de Sá, deste Distr.º; suponho ser ladraõ, pois lhe foi encontrada uma Jumenta..."
"...veio a amma em procura della, e achou se ser certa p.ˡˡᵃˢ Sinhaes q.ᵉ deu..."
"...e diz se que lhe fora furtada em Bragança..."
"...a amma da Jumenta disse ser de V.ª Boa do Ousilhaõ, Julgado de Vinhaes..." (leitura paleográfica revista)
"Ervões 7 de Julho de 1844"
"Antonio Joze Roriz"
5. COMENTÁRIO INTERPRETATIVO
Factos observáveis
✅ A carta foi escrita em Ervões a 7 de julho de 1844.
✅ O remetente identifica-se como Regedor do 3.º Distrito.
✅ Um indivíduo foi conduzido pelos cabos de polícia do lugar de Sá.
✅ Foi encontrada uma jumenta na sua posse.
✅ Uma mulher reclamou a propriedade do animal.
✅ O remetente manifesta suspeita sobre a explicação apresentada pelo detido.
Interpretações fundamentadas
⚠️ O documento integra provavelmente um procedimento administrativo-policial relacionado com furto pecuário.
⚠️ A remessa do suspeito para Valpaços sugere transferência do caso para esfera administrativa ou judicial superior.
⚠️ A identificação toponímica permite observar redes de circulação entre Bragança, Vinhais e Valpaços.
Aspetos que requerem validação adicional
⚠️ Existência e localização do auto referido como anexo.
⚠️ Identificação completa da alegada proprietária.
⚠️ Confirmação do percurso efetivo da carta.
⚠️ Verificação da eventual existência de marcas postais no verso.
6. VALOR FILATÉLICO E CURATORIAL
Interesse filatélico
Médio.
Interesse marcofílico
Baixo.
Ausência de marcas postais observáveis.
Interesse histórico-postal
Elevado.
Exemplo representativo de comunicação administrativa pré-filatélica.
Interesse cartófilo
Não aplicável.
Interesse de filatelia social
Muito elevado.
Documenta policiamento rural, circulação de pessoas, propriedade animal e resolução de conflitos.
Interesse documental
Muito elevado.
Fonte primária para:
- história da justiça local;
- administração liberal;
- economia rural;
- história social transmontana.
Interesse expositivo
Muito elevado.
Particularmente adequada para:
- História Postal Contextualizada;
- Administração Local Portuguesa;
- Justiça Rural;
- Vida Quotidiana no Nordeste Transmontano.
Avaliação
| Critério | Grau |
|---|---|
| Raridade | Média a elevada |
| Potencial para coleção | Elevado |
| Potencial expositivo | Muito elevado |
| Potencial para publicação | Muito elevado |
| Potencial de investigação futura | Muito elevado |
7. SUGESTÃO DE TEXT ALT
Carta administrativa pré-filatélica manuscrita, expedida em Ervões a 7 de julho de 1844 pelo Regedor do 3.º Distrito para o Administrador do Concelho de Valpaços. O documento relata a detenção de um homem encontrado na posse de uma jumenta posteriormente reclamada por uma moradora de Vila Boa de Ousilhão, no Julgado de Vinhais. A peça testemunha procedimentos de policiamento rural, reconhecimento de propriedade animal e comunicação administrativa no Portugal oitocentista. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.
8. CODIFICAÇÃO
Código Principal
PT-CPA-1844-ERVOES-FURTOPECUARIO
Tabela de Codificação
| Bloco | Código | Significado |
|---|---|---|
| País | PT | Portugal |
| Tipo | CPA | Carta Pré-Filatélica Administrativa |
| Ano | 1844 | Ano da peça |
| Localidade | ERVOES | Local de emissão |
| Tema | FURTOPECUARIO | Alegado furto de animal de trabalho |
Código Alternativo Temático
PT-CC-1844-ERVOES-JUSTICARURAL
9. REFERÊNCIAS
Fontes primárias
Transcrição diplomática da carta administrativa de Ervões, datada de 7 de julho de 1844.
10. NOTAS METODOLÓGICAS
✅ Evidência documental
- Data: 7 de julho de 1844.
- Local de emissão: Ervões.
- Remetente: António Joze Roriz.
- Cargo: Regedor do 3.º Distrito.
- Destinatário: Administrador do Concelho de Valpaços.
- Referência a Bragança, Vinhais, Sá e Vila Boa de Ousilhão.
⚠️ Interpretação histórica
- Alegação de furto não comprovada pelo documento.
- Qualificação judicial do processo desconhecida.
- Percurso postal não demonstrado.
- Destino processual do suspeito não identificado.
- O titular da Administração do Concelho de Valpaços à data do documento ainda não foi identificado. A confirmação exigirá consulta do Diário do Governo, do Arquivo Distrital de Vila Real ou de fundos administrativos do concelho.
Limitações da análise
- Ausência de marcas postais visíveis.
- Não foi localizado o auto referido no texto.
- Não se conhece o desfecho do caso.
- A identificação de "V.ª Boa do Ousilhaõ" como Vila Boa de Ousilhão é sustentada por evidência paleográfica e contextual, mas permanece uma identificação crítica e não uma leitura explicitamente modernizada do manuscrito.
Nível Global de Certeza
| Aspeto | Grau |
|---|---|
| Identificação material | Elevado |
| Datação | Elevado |
| Identificação institucional | Elevado |
| Leitura paleográfica do conteúdo | Elevado |
| Identificação toponímica de Vila Boa de Ousilhão | Elevado |
| Reconstrução postal | Médio-baixo |
| Interpretação histórica do caso | Médio |
Nota Curatorial
Esta peça constitui um excelente exemplo de História Postal Contextualizada, onde a relevância ultrapassa a mera circulação da correspondência e se estende ao estudo das estruturas administrativas, do policiamento rural, da propriedade animal e das relações sociais no Nordeste Transmontano de meados do século XIX.


